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DUO-MARAVILHA.



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(b) fachada  
Mini-Cd Produzido Por Walter Benjamin, 2008 
precisavas de razão p'ra enlouquecer
deixei-te um erro sem perdão ficou-te pouco que fazer
e então a nossa solidão já não se voltará a ver
tu louca dessa coração, não medes o que vais dizer

mimi, segura a raiva ao sair,
se já não queres mais nada aqui
não é preciso repetir, mimi
precisavas de paixão p'ra sobreviver
e eu não sei guardar a mão e evitar o teu sofrer
já te expliquei a distinção mas tu recusas entender
e então a nossa solidão já não se voltará a ver
mimi, segura a raiva ao sair, se já não queres mais nada aqui
não é preciso repetir mimi

precisavas de sonhar p'ra me namorar e eu não me sei comportar como os átomos do ar
não me voltes a ligar, 'que continuo a fugir
já sei que não me queres amar, não é preciso repetir
mimi, não deves ser tu a cair
lamento muito o que vivi
mas não te percas a insistir, mimi 

" DOODLES & CARTOONS "



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Passou a manhã sobre
a mesa da cozinha a desenhar fruta,
rabiscos e uns bonecos com balões estilo bd
a lançarem-se sarcasmos, e foi variando
entre as suas compilações de música
indie, melodias inseguras, outras
simplesmente histéricas. Ao lado
um saco de rebuçados de mentol, a chávena
de chá preto, um maço e um cinzeiro.
Ia deixando os grandes e húmidos olhos
borrados, num rastro acastanhado em que
aos poucos se perdeu a tarde inteira.

Eu fui passando uma vez por outra
para espreitar o que estava a fazer;
gosto de cheirar-lhe
as mãos, sussurrar-lhe disparates junto
ao ouvido, ou pedir-lhe a opinião
sobre estrofes assim, em que
pouca coisa acontece.

Às vezes penso que passamos muito tempo
fechados, há aqui um vazio que me dói
nos joelhos, põe-se a roer-me as unhas
e os ossos, a escrever por mim estes versos.
A ela dói-lhe no ventre, espasmos
desse mesmo vazio. Afasta-se e vai parindo
(do quarto à casa-de-banho e pelo corredor)
silêncios, uma enorme vedação em seu redor.

Têm vindo a crescer pilhas de desnecessários
livros no chão, arrumados contra as paredes
pela ordem em que os fomos deixando
a meio. Ela entretêm-se a alinhá-los com os pés,
descalços, enquanto passeia pelo apartamento
em cuecas apenas – as preferidas dela:
verde clarinho, com letras
cor-de-rosa à frente, a dizer «revolução».
Este fim-de-semana acabou por organizar
sozinha uma pequena manifestação. Barricada
na despensa, entre variações de humor,
lá ia tendo bons e maus motivos para
não querer sair.

Eu tenho deixado de fingir convicções
só para ela ter com quem brincar
às consciências, políticas ou sociais,
umas noções dessas arranjadas à pressa
a ver se ainda salva o mundo.
Já não sei quantas vezes mudámos
de ideias e andámos perdidos por uns tempos
para enfim voltarmos sempre a estas
divagações extra-literárias. Mas hoje,
não sei explicar porquê,
também eu sinto que ando a precisar
de levar um tiro por uma causa qualquer,
um encantado ponto final que venha
beijar-me a boca.

Estou aqui entornado sobre o vestido
que ela acaba de enfiar pela cabeça e aquelas
cores silenciosas pouco me trazem.
Disse que gostava de ir a algum lado,
mas entretanto não resolveu onde. Está ali
sentada sobre o velho televisor da Siemens
do tempo em que o meu pai tinha idade
para ser meu filho. Regressa. Fala por falar:
diz que gostava de ter filhos, um dia…,
mas também diz várias vezes que seria
uma péssima mãe
– possivelmente espera que a contrarie,
eu prefiro não. Estamos os dois
demasiado crescidos para ainda aguentarmos
alguém que repita constantemente
que vai ficar tudo bem.

Felizmente faz algum tempo que deixou
de insistir em chamar a atenção de família
& amigos por coisas de nada.
Isto depois de algumas lavagens
ao estômago, suaves prestações de sangue
e uma série de desiludidos suicídios. Entretanto
anda mais calma e até começou a juntar
dinheiro para uns implantes. Ainda houve
um episódio no outro dia depois de vermos
o Revolutionary Road. Fartou-se de chorar.
Pensei que íamos voltar ao mesmo, mas não,
adormeceu e passou-lhe.

A maioria das noites vamos enrolando
paisagens e fumando-as até estarmos exaustos,
desnorteados depois de tantas viagens
no tecto do quarto. Inchados de sono
saímos e entramos no abraço um do outro,
acho que visto de fora ainda devemos parecer
apaixonados. Outras noites fico até mais tarde
enquanto ela dorme de olhos abertos, com
uma estranha e infantil meiguice no rosto,
e às vezes a meio de um sonho
larga frases em inglês – “rain keeps falling in
my head… where it comes from I don’t
know and I don’t know” –, restos eternos
de canções que não sei onde ouve
e outras ausências que soletra tristemente.
Também não sei o que pensa se sou eu
quem dorme, não sei sequer se fica a olhar.

Muitas vezes acordamos os dois
um pouco eufóricos a horas improváveis
e dá-me vontade de fugir com ela.
Penso que se calhar nos devíamos vestir pior,
tomar banho menos vezes, abdicar
dos últimos planos que ainda nos restam
e metermo-nos num comboio
sem destino. Como naquelas histórias
que já não se contam às crianças, agora
presas e vigiadas nestas cidades esquisitas
de prédios inclinados com o peso
sobre as nossas costas,
jardins abandonados com fontes silenciosas
que vão vivendo das chuvas e no fundo
guardam o sono profundo de velhas bicicletas.

Sei que é uma imagem fácil, uma ideia
vulgar, mas prefiro assim mesmo,
deixar que isto termine por cima
de uma sensação envergonhada,
vibrando como um eco que nos lembre
que agora como antes ainda podemos
mudar alguma coisa. Se ela quiser
vamos embora hoje mesmo.

 
Diogo Vaz Pinto

POÉSIE, MON AMOUR.



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[ 21 DE MARÇO, DIA MUNDIAL DA POESIA. Que bem a haja.]

 
OS POETAS 

Encantar-te-ás com os poetas até conheceres um.
Com calças de poeta, camisa de poeta e casaco
de poeta, os poetas dirigem-se ao supermercado.

As pessoas que estão sozinhas telefonam muitas vezes,
por isso, os poetas telefonam muitas vezes. Querem
falar de artigos de jornal, de fotografias ou de postais.

Nunca dês demasiado a um poeta, arrepender-te-ás.
São sempre os últimos a encontrar estacionamento
para o carro, mas quando chove não se molham,

passam entre as gotas de chuva. Não por serem
mágicos, ou serem magros, mas por serem parvos.
A falta de sentido prático dos poetas não tem graça.

José Luís Peixoto 
Gaveta de Papéis 
Ed. Quasi, 2008

SEM TÍTULO.



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| | |
Execução de um Vietcong, Eddie Adams, 1968
As Fotografias Que Mudaram O Mundo.
COLECÇÃO COMPLETA E ESSENCIAL PARA VER EM photosthatchangedtheworld.com/.

A INEVITABILIDADE.



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É-me inevitável: há Godard's que me parecem bailados de vaivém por entre divisões da casa. Por meninos e meninas. 
P'ró menino e p'rá menina.


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A SEGUNDA RONDA.



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Bilhetes: 6 euros.
Reservas: 962352058 / 917054550
 Mais informações:
www.casaconveniente.pt 
há que dizê-lo 
cultura, arte e literarura  

'E se de repente disséssemos tudo aquilo que quiséssemos? 
No caos os corpos desmancham-se, disparam tudo aquilo que já não conseguem guardar, expõem-se entre a ironia e o espaço sem rede.
O que é que fica? Em volta desta pergunta construímos possibilidades e não respostas.
Às vezes damos por nós a rir de um corpo cansado.
NÃO. Não queremos sintetizar o Cesariny. Não queremos um elogio ao morto. Não queremos ser didácticos.
Queremos apenas um encontro inesquecível que se pretende fugaz e intenso. É um espectáculo para inocentes e culpados,
para parvos e inteligentes. É uma dança com um delírio chamado Mário Cesariny.'

ERA UMA VEZ, OU TRÊS, OU CINCO.



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A BELA ACORDADA 

Era uma vez uma mulher que tão depressa era feia era bonita, as pessoas diziam-lhe:
- Eu amo-te.
E iam com ela para a cama e para a mesa.
Quando era feia, as mesmas pessoas diziam-lhe:
- Não gosto de ti.
E atiravam-lhe com caroços de azeitona à cabeça.
A mulher pediu a Deus:
- Faz-me bonita ou feia de uma vez por todas e para
sempre.
Então Deus fê-la feia.
A mulher chorou muito porque estava sempre a apanhar
com caroços de azeitona e a ouvir coisas feias. Só os animais
gostavam sempre dela, tanto quando era bonita como quando
era feia como agora que era sempre feia. Mas o amor dos animais
não lhe chegava. Por isso deitou-se a um poço. No poço,
estava um peixe que comeu a mulher de um trago só, sem a
mastigar.
Logo a seguir, passou pelo poço o criado do rei, que
pescou o peixe.
Na cozinha do palácio, as criadas, a arranjarem o peixe,
descobriram a mulher dentro do peixe. Como o peixe comeu a
mulher mal a mulher se matou e o criado pescou o peixe mal o
peixe comeu a mulher e as criadas abriram o peixe mal o peixe
foi pescado pelo criado, a mulher não morreu e o peixe
morreu.
As criadas e o rei eram muito bonitos. E a mulher ali era
tão feia que não era feia. Por isso, quando as criadas foram
chamar o rei e o rei entrou na cozinha e viu a mulher, o rei
apaixonou-se pela mulher.
- Será uma sereia ? – perguntaram em coro as criadas ao
rei.
- Não, não é uma sereia porque tem duas pernas, muito
tortas, uma mais curta do que a outra – respondeu o rei às
criadas.
E o rei convidou a mulher para jantar.
Ao jantar, o rei e a mulher comeram o peixe. O rei disse à
mulher quando as criadas se foram embora:
- Eu amo-te.
Quando o rei disse isto, sorriu à mulher e atirou-lhe com
uma azeitona inteira à cabeça. A mulher apanhou a azeitona e
comeu-a. Mas, antes de comer a azeitona, a mulher disse ao rei:
- Eu amo-te.
Depois comeu a azeitona. E casaram-se logo a seguir no
tapete de Arraiolos da casa de jantar.
 
 
Adília Lopes

GOSTO. ÀS VEZES.



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Sob pressão não consigomas descobri
O Melhor Blog Do Universo.

O QUE JÁ SABÍAMOS.



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| |
Sex, Lies And... Photoshop. Para ver aqui.

SEM TÍTULO.



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.Gabriel. diz: alô?
Camille. diz: " sim, daqui nino vieira, boa noite " 
.Gabriel. diz: "olá nino vou tratar de ti!" 
.Gabriel. diz: parece-me óbvio que quem matou o nino vieira foram os da weasel

"A PROPÓSITO DE ESTRELAS"



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Não sei se me interessei pelo rapaz
por ele se interessar por estrelas
se me interessei por estrelas por me interessar
pelo rapaz hoje quando penso no rapaz
penso em estrelas e quando penso em estrelas
penso no rapaz como me parece
que me vou ocupar com as estrelas
até ao fim dos meus dias parece-me que
não vou deixar de me interessar pelo rapaz
até ao fim dos meus dias
nunca saberei se me interesso por estrelas
se me interesso por um rapaz que se interessa
por estrelas já não me lembro
se vi primeiro as estrelas
se vi primeiro o rapaz
se quando vi o rapaz vi as estrelas

Adília Lopes 
Quem Quer Casar Com a Poetisa? 
Quasi Edições, 2001

BEEP BEEP.



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60º ANIVERSÁRIO
VOLKSWAGEN VAN. 
60 ANOS DAS PÃO-DE-FORMA.

Há 60 anos a ensanduichar hippies.

SALADA RUSSA.



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PIZZA & LOVE, NO TEMPO DO MEU PAI*.


*OU Afonsinhos do Condado com a presença da "Doce" Lena, numa actuação para o célebre programa de variedades de Vitor Espadinha. Estávamos em 1988.


 
O SONHO DOS MEUS AMIGOS*.
*
OU G.T.I. - Clã. 




TAQUETINHO OU LEBAS NU FUCINHO*.
* OU Como já no tempo do meu primo havia gente com anomalias que começam no cerebruh e só terminam na ponta dos dedox.

HUMANOS.



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DECIFRE O ENIGMA:



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Monica Bellucci & Isabelle Adjani.  
QUEM É QUEM? ( Googlar antes de responder é batota! )
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OS VOYEURS.