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Freud, meu andróide.



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Sonhei com um casalinho amoroso feito de um idoso caquético, aperaltado e patrão, com certo ar de aristocrata, e de uma macaquinha trajada à primeira-dama, muito querida e babosa, que, tendo o dom da palavra, se esforçava por lhe dar em bicos de patas segredinhos ao ouvido e beijos molhados. Isto no jantar de Natal da empresa: Geral boquiabertura.

MJ.



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Acordei com o meu pai a berrar "Morreu o Michael Jackson. Ele era meu fã...". Borrifei-me completamente, não estivesse eu a levantar-me do sonho em que me morria o meu irmão. Passo a explicar: chego eu ao hospital ainda sem saber porque fui. Chega uma enfermeira e diz "Olhe, morreu o seu irmão." "Já? Mas ainda agora cheguei!" "Pois foi." "Como é que morreu?" "Com a boca aberta". E foi isto, confirmada a morte começa toda uma maratona de choro, berro, pontapé (admiro-me agora do desleixo deste meu sonho, tão incompleto em adereços. Nem uma máquina de chocolates havia para eu sovar. Consolei-me com as paredes), guinchos (não fosse ele o irmão que me oferece livros no aniversário), nonsense (chega, que eu sei que ele vem aqui a ler isto, sentir-se sobrevalorizado e chantagear-me-á assim que surja oportunidade). Estava eu já no estado lastimável em que se começa a querer perguntar coisas a Jesus e volta a enfermeira: "Olhe, afinal foi engano. Mas era um muito parecido" Mando-lhe uma chapadona e digo "Você é parva!" Entretanto, calculo que desperto pelo barulho do estalo, aparece o meu irmão com um blazer da Zara. Estava na hora de uma das cinco orações diárias e os muçulmanos presentes, a querer pôr-se de gatas para Meca, começam um reboliço com as cadeiras da sala de espera, que muçulmanos há-os em Coimbra - resmas, resmas e resmas de muçulmanos há em Coimbra, ui se os há - tapetes é que não. E ficámos ali os dois: a debater se será Meca verde, que nos tem parecido que sim.

[ Sempre observei no meu irmão a hábil arte de dormir com os olhos semiabertos, ao jeito de um morto-vivo. A boca, igualmente ]

SONHEI QUE.



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Sonhei que incendiava o Burger King do shopping e que aquilo ficava a cheirar ainda mais a esturro que o habitual. As pessoas, por sua vez, ficavam escandalizadas e enlouquecidas pela falta de manutenção da sua dependência por cheeseburgers. Anunciava-se nos jornais a cabeça a prémio do autor de tal atentado.
Sim, eu detesto o Burger King - Isto é um sonho.

DORMIR DE MEIAS / SONHEI QUE.



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Sonhei que ia ali e incendiava um gajo vestido de astronauta (um tipo que irritava. já estava eu a regá-lo de gasolina e ainda estava ele irritante), num terraço dessarumado, cheio de budegas e budeguinhas (devia haver ali uma espécie qualquer de reprodução), só visto, e que o deixava assim, a arder, e que vinha depressa para casa, pôr-me à janela do quarto a apreciar aquilo, o belo espectáculo pirómano (como fazemos na passagem de ano - vemos em paris, em sidney, no funchal, só que aqui era num homem! num terraço de budegas! que sonho pobre!), e que passado, vá, coisa de anos poucos, uma fotografia do sucedido é a nova capa de um disco dos Sonic Youth. Freud, meu andróide, ou os meus sonhos revelam inconscientes pretensões a Jeff Wall ou então não sei o quererá dizer isto. ( agora vou dormir com a certeza de que não hei-de sonhar esta noite - está um calor do caraças para calçar meias. )

SONHEI QUE.



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Sonhei que um indivíduo de boné, fazendo transportar-se numa viatura medonhamente alterada (amarelo pálido aliado a verde pálido, a arrojar pelo chão, vidros escuros, não sei se um Saxo se um Corsa antigo, sei só que o total cúmulo do mau gosto) colidiu propositadamente com a filial de seguros do meu vizinho, entrando directamente pela vitrine frontal do estabelecimento. Era um acto revolto. Achava que o seguro estava muito alto. O meu vizinho (o mais pacífico dos terráqueos, um santo, nunca olhei para ele senão em câmara lenta, uma languidez nos olhos que a gente se questiona para onde vai? ao que vai? onde espera chegar? assim em câmara lenta. Chama-se Adriano e na realidade não faz seguros, é serralheiro), o meu vizinho embora dentro do estabelecimento e confortavelmente sentado à secretária, ileso permaneceu após o sucedido; levanta-se munido da maior das fúrias e com um descomunal estilhaço de vidro (um triângulo perfeito) sai à rua e desata a abrir gargantas pela multidão junta fora.
Eu preferi recolher-me naquela florista que há ali assim na esquina, com umas escadinhas a subir e um WC com janela para a rua do caos - é, neste estabelecimento inexistente, ponto de espionagem de predilecção.
Entre flores não estava florista nenhuma. Assim como no talho não havia talhante, nem na mercearia merceeiro, nem no jardim o Humberto, cego de décadas.
 Em terra de portugueses, há na gente um desejo latente de sofrimento, alheio ou não. Em terra de portugueses, ao mínimo indício de tragédia a gente rejubila, passa notícia, corre a agrupar-se para ver passar a procissão das desgraças. Até ao dia em que o santo decida exterminar a assistência.

SONHEI QUE.



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Sonhei que o monte aqui à frente tinha entrado em erupção e que dele jorraram toneladas e toneladas de Paella. Provei-a do parapeito da janela do quarto e, digo-vos : não estava nada má. Marisco e tudo. Saltaram ainda de lá alguns frigoríficos e máquinas de lavar outrora abandonados no cume e que lentamente ele há-de ter sorvido, denunciando-o agora. 
ieram as cadeias de TV todas e até se esqueceram da Maddie e de Fátima. Só faltou o emplastro do Porto, que por estas horas há-de andar ocupado. Os cabo-verdianos da zona juntaram-se à UGT e fizeram um protesto. Disseram que não trabalhavam mais com estas condições, que era xenofobia e descriminação, que uma cantina assim não, que todos sabem que apreciam é Cachupa - nada de Paella! - e que depois ninguém se admirasse que chegassem a Portugal e achassem que isto é uma província de Espanha - com montes que jorram Paella...

ACERCA DAS VANTAGENS DO PROGRAMA ERASMUS
#3



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ACERCA DAS VANTAGENS DO PROGRAMA ERASMUS #1 
ACERCA DAS VANTAGENS DO PROGRAMA ERASMUS #2
 
(certamente não calculas que, mas)
É à hora de todos os galos
( pela aurora )
que me assalta a maior das
nostalgias.
É de resto também a hora do raiar de todos os latidos entre a espécie canina e penso que talvez sejam estes animais em alarido a denúncia ao assalto que me opera
(por pessoas, lugares e flashbacks),
por entre réstias de sono e as vozes tão desagradáveis quanto dispensáveis do quarto ao lado. É engraçado como, se pousar o ouvido no colchão, consigo ouvir o bater 
tum tum - tum tum - tum tum 
do coração - que está um pouco acelerado (acho) já a estas horas da manhã.
Calculo que o fígado de um alcoólico acorde também com esta prematuridade e grite ao colchão uma sede sofrida, vigorando dignamente no 
Relatório de Todas As Vísceras E Outros Órgãos Precocemente Acelerados.
 
• Às cinco e quarenta e três da manhã de oito de março de dois mil e nove os pulmões de Maria anteciparam o pedido de uma inspiração que logo levariam a um suspiro que normalmente maria só usa depois de manter relações com o amante, dia sim dia não, depois das dezassete pontuais, em casa dele, ( perto do cemitério dos prazeres), que é onde maria vai enterrando alguns gemidos. hoje, por essa hora os pulmões de maria limitam-se a responder às suas divagações oníricas. Ao seu lado, repousa afinal o marido - cujo maior sinal de amor que lhe tem dado nos últimos tempos consiste na excursão dominical ao intermarché da terra. o maior sinal de fidelidade que ela lhe dá nos últimos tempos é continuar dignar-se acompanhá-lo e arrastar-se por entre tipos na casa dos vinte/trinta com jeans que acossam virilidades, a passear as namoradas extra-maquilhadas no corredor dos iogurtes, a gerar entediantes tertúlias em torno do último grito de champô. Tipos com jeans enfiados no cu na fila para comprar fiambre, tipos com jeans enfiados no cu a pesar abacates, tipos com jeans enfiados no cu a passear o cu. Não há nada mais deprimente que um intermarché de domingo à tarde.
• Às seis e seis da manhã de oito de março do ano da graça de dois mil e nove, a bexiga de josé pediu-lhe pela primeira vez no espaço de muitas noites passadas que fosse "já, vai já à sanita" e que "puxa o autoclismo, não te esqueças do autoclismo". ORA, josé nunca acorda durante a noite para urinar mas é sabido que a noite anterior foi a de sexta e nunca se recusa álcool a uma menina bonita como a Sexta À Noite, que é divertida, poliglota, conhecida em tudo quanto é canto de mundo. 
• Às seis e quarenta e um da manhã de oito de março de dois mil e nove, esse ano de eremitismo totalmente voluntário, o coração de liliana aquece de nostalgia no meio de lençóis depois de invulgar ida à casa de banho. 
ASSIM COMO
às seis e quarenta e um da manhã de oito de março de dois mil e nove numa cama diferente, Manuel, de meia-idade e desgraçado, deitado sobre os restos da noite anterior, tenta acalmar o fígado, dizer-lhe que não, que é cedo que me desgraças a vida e me hás-de matar, e o raio do pedaço nojento a dizer-lhe que Manuel está a fazer dele peixe fora de água. 


Hoje, dizem, é "O Dia Da Mulher" e se me perguntarem - quem sempre tudo pergunta - o que hei-de fazer, mais nada terei para dizer que não um:
"Senhor, é bom que esteja recordado que me recuso a festejar qualquer celebração criada pela sociedade consumista ocidental para vender almofadas, chocolates e preservativos, e, porventura, alugar devotos de ginásio, envoltos em óleos, para tirar a roupa. Mas se quiser acompanhar-me, informo-o que hoje é um daqueles dias em que além de nostalgia, me assalta o coração e o estômago um desejo absurdo de um leitão tenro, oleado e igualmente despido, servido sobre cama de alface." ao que ele não saberá responder com mais que o habitual
"Sim Senhora".
Mas digo-lhe já " Se é dos que vai chorar antes de se decidir a devorar o animal, ao imaginar como a curta vida na pocilga terá sido feliz, decline já o convite". E talvez se parta dali para melhor. 
Sonhei com um ciclo de cinema italiano antiquíssimo, numa Itália antiga e desaparecida (tu em melhores condições de o declarares). Ao lado, uma taberna irrealmente azul, munida de um espadaúdo taberneiro (e até um pouco amorfo, da idade) que com um bigode igualmente irreal me perguntou, rodeado de cartazes do mais belo cinema de Fellini, o que queria. É evidente que só queria dizer-lhe
"Senhor, é bom que morra depressa, que isto não tarda nada desaparece tudo e não vai querer ver."
(e ao ouvido:) --"Se eu fosse a si, ---morria já".
Sei que depois quis seguir dali para a Suiça e o mapa me disse que a Suiça não era mais que uma parcela de terreno verde e cultivado onde não cabiam mais que duas parelhas de vacas - Milka
8.MARÇO.2009 
( pela aurora )

ASSUSTADOR



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Sonhei que dividia casa com o Simão Sabrosa.
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OS VOYEURS.