Ó, um gajo loiro, e que é um fófinho, onde é que já se viu? Onde? Num vídeo dos The National. Porque o que é National, é bom. E sexy [ : eis a explicação].
(Que ricas figuras, Matt.)
(Dedico a ti, Querido Marciano.)
E se, de repente - ou não assim tão de repente - alguém chegasse e juntasse o Fado, de Lisboa e de Coimbra - de Portugal - à Bossanova, de Gilberto e de Caetano? E mais: lhes juntasse, ainda, umas pitadas de Jazz e... canto alentejano? "Se João Gilberto cantasse fado, seria mais ou menos assim", disse-se por aí.
Porque, Senhor, é isto a legenda até sempre. Porque este é O Homem. Porque vou ali largar uma folhinha de plátano. Meu amor. Que te puseste a dormir e nunca mais acordaste - Sonhos p'rá miséria, (doem aqui, doem acolá), mas vá, acabrunhada, pelo peso esmagador de uma herança irrecusável.
E pronto, veio à tona a estupidez da Maitê Proença quando ela decidiu "satirizar" Portugal num vídeo onde se percebe que, nos casos de certa gente, à falta de um guião ou teleponto, é preferível estar calado. Não faz mal, também nunca engracei com brasileiros - Ai que sou tão alegre, ai tira o pé do chão, ai que gosto tanto de Portugau, ai a merda - Não faz mal, nunca acredito.
(Suzanne Valadon, Erik Satie)( Gymnopédie No. 1 - Erik Satie )
ELOGIO DOS CRÍTICOS
Não escolhi este tema por acaso, escolhi-o por me sentir reconhecido. Porque estou, de facto, tão reconhecido como reconhecível.
No ano passado fiz várias conferências sobre « A Inteligência e a Musicalidade nos Animais».
Hoje vou falar-vos d'«A Inteligência e a Musicalidade nos Críticos». O tema é quase o mesmo mas com modificações, bem entendido.
Amigos meus disseram-me que era um tema ingrato. Ingrato, porquê? Não há nele ingratidão nenhuma; pelo menos, eu não vejo onde nos agarrarmos para dizer isso. Vou pois fazer, sereno, o elogio dos críticos.
Não conhecemos suficientemente os críticos; ignoramos o que fizeram, o que são capazes de fazer.
Numa palavra, são tão desconhecidos como os animais, embora tenham, como eles, a sua utilidade. Sim.
Não são apenas os criadores da Arte Crítica, que é Mestra de Todas as Artes, mas os primeiros pensadores do mundo, os livres pensadores mundanos se assim podemos chamar-lhes.
De resto, foi um crítico quem posou para o Pensador de Rodin. Eu soube-o há quinze dias, o máximo três semanas, por um crítico. O que me deu prazer, muito prazer. Rodin tinha um fraco, um grande fraco pelos críticos… Os seus conselhos eram-lhe caros, muito caros, demasiado caros, acima de qualquer preço.
Há três espécies de críticos: os importantes; os que são menos; os que não são nada. As duas últimas espécies não existem: são todos importantes…
Erik Satie, in Memória de um Amnésico
Selecção, tradução, cronologia e notas de Alberto Nunes Sampaio
A minha biografia é evidentemente excepcional: Tive um Pai, uma Mãe, nasci numa Casa, fui à Escola da vila,depois do concelho, mudei de distrito para continuar.
Os meus contemporâneos alimentam
uma curiosidade fétida.