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ROMÃS (#3).



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JOÃO CESAR MONTEIRO

.REPEAT.IT.REPEAT.IT.



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Gila BEACH HOUSE

O ÍPSILON DE HOJE FOI FEITO PARA MIM!



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  • Mesmo a propósito. Por falar neles, eis que a edição de hoje do Ípsilon dá o devido destaque ao bando de barbudos cantores que vão proliferando em catadupa pelos cantos da capital: no fundo, a Flor Caveira, a Amor Fúria e (alguns) amigos, estampados na capa do suplemento e revelados em autópsia detalhada mais à frente. Diz-se que inventam um país canção a canção e que já não se via em Portugal um movimento pop assim há mais de 20 anos, época de Variações, Heróis do Mar ou dos primórdios dos GNR de Rui Reininho, todos eles claras e assumidas influências. Analisam-se, de entre outros, o lado western de Samuel Úria e o bigode camiliano de João Coração. Mas há também Guillul e Manuel Fúria - cabecilhas - 'o pregador baptista que toca rock'n'roll' e 'um enérgico catalisador', respectivamente. Fala-se ainda das influências musicais (os já referidos Heróis do Mar, Variações, e Bob Dylan e Tom Waits que foram limpar da cabeça dos moços a ideia de tornar as cidades-natal em Seattles portuguesas) percebem-se as cinematográficas (Os Golpes - 400 Golpes : pisca-se o olho a Truffaut, para não falar dos cursos de cinema mais ou menos cumpridos mais ou menos falhados que constam dos currículos) e abordam-se as literárias (João Coração a cantar nos seus versos nomes como Saramago e Lobo Antunes). E depois, é claro, fala-se, como não poderia deixar de ser, em Os Pontos Negros. Mas não toquemos nesse ponto. Por causa da minha tensão.
"Primeiro foi Tiago Guillul, depois Os Pontos Negros, pelo meio b fachada, Feromona e agora Samuel Úria e João Coração - e ainda faltam Os Golpes: há vinte anos que não havia pop tão à vontade em ser portuguesa, tão orgulhosa de ter um pé em Nova Iorque e outro no subúrbio. Quem é esta gente que entra de rompante pela nossa música adentro? Fomos falar com os cabecilhas, Tiago Guillul e Manuel Fúria, e com os seus cúmplices, Samuel Úria e João Coração." João Bonifácio
Tudo isto muito a propósito do lançamento dos discos de Úria e Coração. E para mais é comprar o jornal ou visitar os MYSPACE de cada um.
  • O Louis!
"Louis Garrel podia ser só um rapaz com pinta de ícone pop (Hedi Slimane e Bruce Weber têm estado atentos), impossivelmente bonito (temível distracção numa entrevista), mas também se impôs como um caso à parte enquanto actor - com o realizador Christophe Honoré, sobretudo desde o fulgurante "Em Paris" (2006), tem projectado uma graciosidade quase burlesca, como um Jean-Pierre Léaud (referência assumida) para o século XXI.Tem 25 anos mas é tarde demais para falar dele como “jovem esperança”. Garrel-filho regressa num filme de Garrel-pai, “A Fronteira do Amanhecer”. Entrevista com Louis Garrel, o belo."
  • Os Lightning Bolt!"
    "Quando Joaquim Durães viu os Lightning Bolt em Barcelona, há cinco anos, ficou de "sorriso estampado na cara", radiante perante a "electricidade humana" gerada no concerto." Isto em vésperas do concerto que acolhe o barulhento duo no -5 do estacionamento do Camões ou não sei quê. Quem sair ileso merece prémio.

I MISS THIS. I MISS THIS LIKE NO OTHER.



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Campanha publicitária: SONY BRAVIA (na íntegra) Música: "Heartbeats", de José Gonzalez

SHINE A LIGHT - WOLF PARADE.



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Não tenho qualquer dúvida de que esta é uma das melhores canções de sempre.

!



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"Michael Pitt estará na apresentação de «Os Sonhadores», de Bernardo Bertolucci, às 19:30, no Centro de Congressos do Estoril, juntamente com Louis Garrel, também actor no mesmo filme." (iol diário)

OS 4 MAGNÍFICOS.



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Elefantes na água optimistas à solta
optimistas à solta elefantes na árvore
elefantes na árvore optimistas na esquadra
optimistas na esquadra elefantes no ar
elefantes no ar optimistas em casa
optimistas em casa elefantes na esposa
elefantes na esposa optimistas no fumo
optimistas no fumo elefantes na ode
elefantes na ode optimistas na raiva
optimistas na raiva elefantes no parque
elefantes no parque optimistas na filha
optimistas na filha elefantes zangados
elefantes zangados optimistas na água
optimistas na água elefantes na árvore
Era uma vez um coelhinho que nasceu numa couve.
Como os pais do coelhinho nunca mais aparecessem a couve passou a cuidar
dele como se do seu próprio filho se tratasse.Com ervinhas tenras que
cresciam ao seu redor a couve foi criando o coelhinho dentro do seu
seio até que este passou a procurar a sua própria alimentação.O
coelhinho, que tinha um coração muito bondoso, retribuindo o afecto que
a couve lhe dedicava considerava-a como sua verdadeira mãe.A mãe couve
e o seu filhinho adoptivo foram vivendo muito felizes até que um dia
uma praga de gafanhotos se abateu sobre aquelas terras.O coelhinho ao
ver que aqueles insectos vorazes devoravam tudo o que era verde cobriu
com o seu próprio corpo o corpo da mãe couve e assim conseguiu que os
gafanhotos pouco dano lhe fizessem.Quando aqueles insectos daninhos
levantaram voo os campos em volta passaram a ser um imenso deserto de
areias e pedra.O pobre coelhinho, que sempre tinha vivido nas
proximidades da sua mãe couve, teve de deslocar-se para muitos
quilómetros de distância a fim de procurar comida.Mas já nada havia que
se pudesse mastigar naquelas terras.Passaram muitos dias e o pobre
coelhinho estava cada vez mais magro mais magro e faminto.Então a mãe
couve disse-lhe assim: “Ouve meu filho: é a lei da vida que os velhos
têm de dar o lugar aos novos, por isso só vejo uma solução: assim como
tu viveste durante algum tempo no meu seio, passarei a ser eu agora a
viver dentro do teu. Compreendes, meu filho, o que eu quero dizer?”O
pobre coelhinho compreendeu e, embora com grande tristeza na alma não
teve outro remédio, comeu a mãe.
Todos os dias os encontro. Evito-os. Às vezes
sou obrigado a escutá-los, a dialogar com eles. Já não me confrangem.
Contam-me vitórias. Querem vencer, querem, convencidos, convencer.
Vençam lá, à vontade. Sobretudo, vençam sem me chatear.
Mas também os aturo por escrito. No livro, no jornal. Romancistas,
poetas, ensaístas, críticos (de cinema, meu Deus, de cinema!). Será que
voltaram os polígrafos? Voltaram, pois, e em força.
Convencidos da vida há-os, afinal, por toda a parte, em todos (e
por todos) os meios. Eles estão convictos da sua excelência, da
excelência das suas obras e manobras (as obras justificam as manobras),
de que podem ser, se ainda não são, os melhores, os mais em vista.

Praticam, uns com os outros, nada de genuinamente indecente:
apenas um espelhismo lisonjeador. Além de espectadores, o convencido
precisa de irmãos-em-convencimento. Isolado, através de quem poderia
continuar a convencer-se, a propagar-se?  
(...)
No corre-que-corre, o convencido da vida não é um vaidoso à toa. Ele é
o vaidoso que quer extrair da sua vaidade, que nunca é gratuita, todo o
rendimento possível. Nos negócios, na política, no jornalismo, nas
letras, nas artes. É tão capaz de aceitar uma condecoração como de
rejeitá-la. Depende do que, na circunstância, ele julgar que lhe será
mais útil.
Para quem o sabe observar, para quem tem a pachorra de lhe seguir
a trajectória, o convencido da vida farta-se de cometer «gaffes». Não
importa: o caminho é em frente e para cima. A pior das «gaffes», além
daquelas, apenas formais, que decorrem da sua ignorância de certos
sinais ou etiquetas de casta, de classe, e que o inculcam como um
arrivista, um «parvenu», a pior das «gaffes» é o convencido da vida
julgar-se mais hábil manobrador do que qualquer outro.
Daí que não seja tão raro como isso ver um convencido da vida
fazer plof e descer, liquidado, para as profundas. Se tiver raça,
pôr-se-á, imediatamente, a «refaire surface». Cá chegado, ei-lo a
retomar, metamorfoseado ou não, o seu propósito de se convencer da vida
- da sua, claro - para de novo ser, com toda a plenitude, o convencido
da vida que, afinal... sempre foi.
É um estilete de luz
a imensidade de que és feita
e contorna um azul-sonho-neve
igual aos cabelos que descobri a saírem da tua boca
       - dos teus olhos de imaginação
       - dos teus lábios curvos de aurora.

Saímos
enquanto as pessoas olhavam admiradas o Arco do Triunfo
deixando escorrer dos bolsos fitas e serpentinas
para tudo se passar como no pássaro
para deixar objectivamente escrito
nas margens do rio
        do Mar
        - o continente submerso
        - o navio de todos os amantes
        por onde rola a carruagem em que viajamos
        pintada de Liberdade e de Poesia
        contigo a dormir sobre o meu peito.

             POR ISSO EU SENTI SER FÁCIL O SUICÍDIO
                                                   FÁCIL E POSSÍVEL.

Fixou-se no muro da tua residência
sobre a porta que se abre ao visitante
um símbolo mágico e de cabala
        - a oportunidade do meu regresso
        - a história maravilhosa que te direi na viagem.

Procurei
nas folhas espalhadas pelo nosso leito
a recordação do que há-de vir
        - apenas no esparso
        - no diverso
        - no acto simultâneo de defesa
        - no viajar de aeróstato incógnito de distância
        - na noite mágica

             NA PRIMEIRA GRANDE NOITE MÁGICA QUE NÓS
                  TIVEMOS.

Abriu-se a janela que caminhava sozinha
e saiu um sonho simples de criança:

O METEORO DA TRANSFORMAÇÃO

pousado a um canto o meu Jogo de Cabala

        (um montinho de quadrados,
        de círculos, de triângulos,
        dispostos geometricamente
        sobre um tabuleiro grande)

o meu Tratado de Magia Humana

        (um caminho de ogivas, um
        relógio a dar horas sobre
        um túmulo em pé, os postes
        magnéticos, os cordões da angústia)

FALO - no Laboratório Mágico ao dar-se a aparição espon-
            tânea de Lautréamont e Freud que traziam sobre as
            sobrancelhas um corte fino a atravessá-Ias lado a
            lado: -
Ao aparecer a mulher escandalosamente
vestida de vermelho
ele dirige-se para a jovem
e os outros passeiam sobre as rochas
onde fica oculto o corpo do homem que chega continuamente
MUDO APONTA O HORIZONTE.

de cima para baixo: 'passagem dos elefantes', de M. CESARINY V. 'o coelhinho que nasceu numa couve', de PEDRO OOM 'os convencidos da vida', de ALEXANDRE O'NEILL as cinco letras em vidro, de ANTÓNIO MARIA LISBOA




CONVERSA SOLTA.



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Foto de Gonçalo Rosa da Silva Texto de Sara Belo Luís IN visão, 24 outubro 2008

Com a quinta edição de O Arquipélago da Insónia (Publicações Dom Quixote) a chegar às livrarias, António Lobo Antunes, 66 anos, recebeu no ateliê onde escreve o «leitor» Gonçalo M. Tavares, 38 anos. Não se conheciam pessoalmente, mas acederam ao convite. Falar sobre literatura, deixando-se ouvir pela VISÃO. Deste encontro há-de resultar, dentro de dias, uma apresentação pública da nova obra por Rui Cardoso Martins e Gonçalo M. Tavares, assim o quis o próprio Lobo Antunes. Conversa solta à volta dos livros com a voz (quase) muda de uma jornalista em corpo presente.

ANTÓNIO LOBO ANTUNES: No princípio, fazia muitos planos, mas agora quando escrevo não tenho nada, absolutamente nada. As coisas aparecem-me e, quando está a correr bem, a mão fica feliz.

GONÇALO M. TAVARES: O que eu sinto é que há duas fases: essa fase do prazer e, depois, a fase dolorosa, que para mim significa sofrimento puro.

ALA: A parte das correcções é horrível. Eu corto, corto, corto… É como ser professor de português e ter que corrigir os pontos dos alunos. E, ainda por cima, pontos maus, porque as primeiras versões são de facto muito distantes daquilo que imaginávamos que o livro seria. Como aproximar tudo aquilo? Só através de correcções, correcções, correcções.

GMT: O António costuma cortar?

ALA: Eu sou mais de cortar. O Eça acrescentava e o Proust também, mas os escritores que cortam são mais frequentes do que aqueles que acrescentam.

GMT: Já era assim, nos primeiros livros?

ALA: Sempre fui assim. Andei um ano com o primeiro capítulo da Memória de Elefante. Estive agora a ver, nos manuscritos que lá tenho, a quantidade de livros que nunca foram adiante, falsas partidas. Mas depois de ter visto as várias versões da Guerra e Paz e, que se saiba, há 14 versões de A Morte de Ivan Ilitch… O Manuel da Fonseca estava sempre a dizer que ser espontâneo dá muito trabalho.

GMT: São necessárias cem versões para parecer que se escreve à primeira, não é? De qualquer modo, eu acho que há um momento a partir do qual se piora. Balzac falava muito nisso. Tira ponto, mete vírgula e, a certa altura, é preciso ir ao caixote do lixo à procura da primeira versão.

ALA: Aconteceu-me quando a Isabel [a filha mais nova] era pequenina. Estava de férias no Algarve, deitei tudo fora e, no dia seguinte, fui ao lixo procurar as folhas rasgadas no meio das cascas e da gordura. Naquela altura, deitava-me com o livro, sonhava com ele e, agora já não. Dantes também fazia planos.

GMT: O Arquipélago da Insónia não é nada de planos. O que me parece é que este livro clarifica a coisa, torna os outros mais claros. Como se os livros anteriores fossem uma floresta na qual, de vez em quando, vemos O Arquipélago da Insónia. Agora, sinto que chegámos a uma clareira e que é preciso um novo leitor. Aqui não se pode sair da frase que se está a ler. E isso é absolutamente novo.

ALA: O ponto é esse. As palavras são aquelas e não podem ser outras.

GMT: Muitas pessoas podem sentir dificuldade em ler porque há uma necessidade de referência.

(As pessoas procuram uma narrativa.)

GMT: Mas aqui nunca precisamos de pensar o que é que aconteceu, o que é que vai acontecer.

ALA: Não acho que os meus livros sejam difíceis, para mim são tão fáceis...

GMT: São fáceis e muito divertidos. Eu ri-me às gargalhadas.

ALA: Também dizem que os livros são tristes, mas o que é importante é o prazer da leitura. Não há nada melhor do que ler um livro. As obras de arte são como os tigres, não se devoram entre elas. Encontrar alguém com talento é uma felicidade, encontrar um livro bom é uma festa, uma alegria.

GMT: Gostava de contar uma história. Quando tinha 20 anos, enviei-lhe um manuscrito de um romance. Não se deve recordar, mas falou comigo ao telefone. Nessa altura, eu assinava com outro nome: Gonçalo Albuquerque Tavares.

ALA: Gonçalo Albuquerque Tavares. Lembro-me perfeitamente.

GMT: E gostou muito do livro. Recordo-me de terminar o telefonema a dizer: «Você é um escritor, não precisa de mim para nada, este livro está pronto para publicar, avance.» Quando desligámos, fiz um sapateado de alegria. Nunca cheguei a publicar esse livro, mas lembro-me da sua atenção e da sua disponibilidade para falar. Aos 20 anos, isso foi muito importante para mim.

ALA: Está a fazer de mim um velho.

GMT: Não… E acho que, apesar do seu conselho, fiz muito bem em só publicar aos 31 anos.

ALA: Lembro-me de falar à editora de um rapaz com uma grande margem de progressão, que era o que me interessava. Percebe-se que se trabalha… Quem quer escrever tem que escrever todos os dias. Porque este é um trabalho de disciplina. Claro que existe o talento. García Márquez, que é um grande narrador, dizia que o talento é como um berlinde na mão: ou se tem ou não se tem. Estava na América quando morreu o Paul Newman e, numa entrevista de arquivo, ouvi-o falar das pessoas que tinham talento natural e não trabalhavam.

GMT: A mim irrita-me o desperdício de tempo. Às vezes, apetece-me bater em algumas pessoas que tiveram a possibilidade de ler e não leram.

ALA: Não lê todos os dias como eu leio?

GMT: Leio todos os dias. Há dias perguntaram-me entre ler e escrever…

ALA: Ler dá mais prazer.

GMT: É uma necessidade brutal. O que sinto é que, por vezes, as pessoas desperdiçam dez anos sem dirigir o seu tempo. Há um enorme descontrolo do tempo.

ALA: É como aquelas pessoas que escrevem o primeiro livro aos 50 anos. Não se começa a escrever aos 50, escrever é algo que se constrói desde que se nasce. Desde que me conheço que sou assim.

(E publicar, é importante?)

ALA: Claro que sim. Vamos aprendendo com os livros publicados. Até porque eles estão dentro de nós.

(No caso do Gonçalo foi diferente, escreveu dezenas de livros que não publicou logo.)

GMT: Praticamente todos os que saíram até agora.

ALA: Não tentou sequer publicá-los?

GMT: Não. Para mim, era muito claro que a publicação, a partir de certa altura, seria uma coisa ruidosa.

ALA: Quem é que pensa que o pôs na Mondadori [editora espanhola, pertencente à Random House]? O Cláudio López é muito bom editor…

GMT: O Cláudio López percebe de literatura. Lê…

ALA: Que é uma coisa que os editores não fazem em Portugal.

GMT: Então, foi o António que me levou para a Mondadori…

ALA: Sim, não pense que foi a sua agente [risos].

GMT: Há coincidências engraçadas.

ALA: Não sabia?

GMT: Não, não sabia. Mas agradeço.

ALA: Eu é que tenho que lhe agradecer por escrever. Já há muito tempo que o Günter Grass tem direito de veto sobre os livros que a sua editora publica. Aquilo deve dar um trabalhão. Não tenho tempo para ler tudo, prefiro ler os livros de que gosto. Por exemplo, se eu alguma vez lia os 400 e tal originais candidatos ao Prémio Leya…

GMT: Isso é horrível.

ALA: Além disso, o prémio é estúpido. Um prémio só internacionaliza um autor quando, no passado, foi dado a outros autores importantes. Nunca concorri a um prémio. Nunca. Deus me livre. Também não lhes queria dar o prazer de não mo darem. Um escritor não concorre a prémios, a não ser que esteja à rasca. Já concorreu?

GMT: Já.

ALA: Porquê?

GMT: Porque estava à rasca.

ALA: De dinheiro?

(O dinheiro também é importante.)

GMT: É muito importante. O tempo está ligado ao dinheiro. Quando me deram o Prémio Portugal Telecom, perguntaram-me o que é que ia fazer com o dinheiro. Eu respondi que ia comprar tempo.

ALA: Devia ter dito que ia comprar um [bolo] económico e uma carcaça. Ninguém pergunta a um banqueiro o que é que ele faz ao dinheiro, mas perguntam-no a um escritor como se nós fôssemos mendigos. Parece uma tia minha que, quando dava uma esmola, dizia: «Agora não gaste tudo em vinho.»

GMT: Uma pessoa é convidada para falar meia hora e, em Portugal, isto é visto como se…

(Como se não valesse nada.)

GMT: Há uma desvalorização da palavra. E sobretudo da palavra oral.

ALA: Na Alemanha, tudo isso é pago. Aqui, à excepção dos amigos, não falo de borla para ninguém. Nem pensar. E a quantidade de vezes que me pedem para «escrever qualquer coisa»? Escreva aí qualquer coisa, umas palavrinhas para um livro meu, umas palavrinhas para aqui e para acolá.

GMT: É engraçado isso de escrever num instante. Vamos imaginar que se escreve um texto em 20 minutos. A questão é que não são apenas aqueles 20 minutos, a questão é: quem é que paga os 40 anos que a pessoa esteve a ler?

ALA: Exactamente o que aconteceu com o Picasso quando lhe perguntaram quanto tempo é que ele demorava a pintar um quadro. E ele respondeu: o tempo que demorei a pintá-lo mais todos os anos da minha vida.

GMT: Há um chupismo, um vampirismo horrível. Para os outros, parece sempre que é fácil.

ALA: As crónicas que escrevo para a VISÃO não dão trabalho nenhum, mas perco sempre um dia. E, depois, como é voltar ao ritmo do livro? E não se trata apenas de pagar aqueles textos, que são piscinas para crianças, têm sempre pé e água a dar pela cintura.

GMT: A certa altura não é o tempo que se demora a fazer... Mas voltando ao livro, penso que este livro precisa de dois tipos de leituras: uma leitura de uma certa velocidade que apanhará determinado ritmo e, por outro lado, uma leitura lenta através da qual conseguimos obter o prazer da frase. E isto é muito raro. Há livros que devem ser lidos rapidamente…

ALA: Por exemplo?

GMT: Os autores mais narrativos.

(García Márquez, por exemplo.)

GMT: Sim, não vejo que seja preciso parar numa frase de García Márquez para contemplar. Acho que isso acontece com os autores mais narrativos que põem as pessoas vidradas em acontecimentos sucessivos. A leva a B, B leva a C.

ALA: Aquilo a que Bourgois [Christian Bourgois, editor francês recentemente falecido] chamava a prosa «pas trop naturaliste». García Márquez é um admirável contador de histórias, mas o Steiner [o ensaísta George Steiner] tem razão quando diz que Simenon é o melhor.

GMT: Ele coloca-o como um dos grandes escritores…

ALA: E é um grande escritor. Gide, que normalmente tinha um gosto muito seguro, tinha um grande apreço por Simenon. E eu também tenho.

GMT: Mas o que eu acho interessante neste livro é que, se o lermos lentamente, vamos ter o prazer local do verso. Esta frase, por exemplo, é muito elucidativa para onde está a caminhar: «De maneira que fico aqui à espera porque com um bocadinho de sorte pode ser que alguma coisa aconteça.» É como se as palavras estivessem à procura dos acontecimentos.

ALA: Exactamente. Não sei como escreve, mas eu escrevo à mão…

GMT: A computador e, às vezes, à mão.

ALA: Chego a estar duas horas à espera que aquilo venha.

GMT: Noto que o movimento da escrita, mesmo corporalmente, alimenta mais escrita.

ALA: Ele pode dar a entrevista sozinho, está a dizer tudo.

GMT: A sensação que tenho é que, neste livro, o que verdadeiramente interessa são as relações. O Arquipélago da Insónia tem pai, tem mãe e tem memória. E isto basta. É brutal.

ALA: Achou-o brutal?

GMT: A brutalidade tem mais a ver com a mistura entre animais, homens e objectos. A certa altura, há muito mais humanidade num animal. É quase apocalíptico porque o homem não se distingue de toda a porcaria.

ALA: Acho que não é possível julgarmos os nossos próprios livros, mas também lhe digo que este livro foi escrito em circunstâncias muito especiais. Antes e depois da doença.

GMT: Outra frase: «Alguém que não conheço a perfumar os baús no andar de cima de um andar que não há.» Só faltava acrescentar: fazer algo que não sei o que era. Alguém que não sei quem é, a fazer alguma coisa que não sabe o que é, num sítio que não se sabe qual é. Aqui, não há mais nada para além da frase.

ALA: Tudo o que ele diz é importante e, por isso, eu só faço apartes. Num dos seus livros, Beckett escreve que «o que escrevo passa-se agora».

GMT: Em Malone está a Morrer, Beckett diz que a personagem ora se chama Joana, Antónia ou Maria. E, de facto, dar um nome a uma personagem tem um grau de arbitrariedade enorme. Aqui também existe a ideia de uma língua individual, da inteligência da linguagem.

ALA: Já várias vezes disse que o importante é que o livro seja inteligente, não o autor.

GMT: Os verbos que não estão são os que não fazem falta. Lembro-me de uma discussão com um revisor por causa de uma elisão. Mas para quê? Estar lá era apenas uma forma de mostrar que eu sabia que o correcto era estar. Não acrescentava nada.

ALA: O Gonçalo dispensa-me de abrir a boca. Estou de acordo com tudo aquilo que ele diz. E ele tem uma capacidade de leitura muito maior que a minha.

(É um bom leitor.)

ALA: Muito melhor leitor que eu.

GMT: Quase que podíamos fazer uma antologia poética do livro. É verdade que nas obras de Hemingway, por exemplo, nunca há uma frase disparatada. Mas não há frases de impacto como estas.

ALA: Hemingway é um escritor de que vamos aprendendo a gostar. Aos 20 anos, gostava. Aos 30, detestava e, agora, gosto outro vez. Uma vez em conversa com o meu agente americano disse-lhe que achava os diálogos de Hemingway muito naturais. E ele então desafiou-me a lê-lo em voz alta. É verdade que, lido em voz alta, ninguém fala assim, mas lido com os olhos toda a gente fala assim. Flaubert também lia os livros em voz alta. E eu também faço isso: leio em voz alta e com voz de desenho animado. Se a palavra não resiste, deito fora.

GMT: Há ainda a questão da violência, que foi trabalhada por escritoras como a Flannery O'Connor, por exemplo. Outra frase brutal: «Podia matá-los a ambos com a caçadeira do meu avô sem que o Deus deles se indignasse.» Acha que é preciso manter a elegância mesmo quando se corta a cabeça?

ALA: Nunca pensei nisso. Sou capaz de falar sobre os livros dos outros, sou capaz de dar uma conferência sobre a Flannery O'Connor ou sobre a Emily Brontë, mas não sou capaz de falar sobre estes livros. Tenho a sensação de que, se os compreender, mato a galinha dos ovos de ouro. Tenho medo de perder qualquer coisa. Não sei se lhe acontece o mesmo...

GMT: Até mesmo como leitor, não me interessam os livros em que percebo tudo. É exactamente isso: escrever sem saber para onde é que se está a ir.

ALA: O completo imprevisto com que, a cada passo, nos defrontamos. Como se fosse um organismo vivo independente de nós, com leis próprias. E temos que escrever para ser os melhores, temos que ter a certeza que somos os melhores. Um escritor não é bom escritor se não pensar que é o melhor. Se não for para ser o melhor, não vale a pena escrever. E depois acabamos como o Tolstoi no seu diário: lutei toda a vida para ser melhor que Shakespeare. E sou. E agora?

GMT: A megalomania é uma metodologia.

ALA: Precisa de estar seguro de que é um génio. Não vou deixar que um livro me vença, não vou deixar vencer-me por um livro. Julgo que não há nenhum artista verdadeiro que não pense nisto, mesmo os falsamente modestos como Tchekhov, um escritor que admiro profundamente.

GMT: O que me parece é que é fácil fazer coisas aos 38 anos. O difícil é continuar, continuar, continuar... Porque está tudo lá fora. Há raparigas bonitas a passar e nós sentamo-nos a escrever.

ALA: Às vezes sento-me contrariado, não me apetece. Mas obrigo-me e, às nove da manhã, cá estou eu.

GMT: A parte mais difícil é mesmo sentarmo-nos.

ALA: E resistir às tentações.

A ODE AO VÍDEO ESTRAMBÓTICO-ORIGINAL NÃO-ANÓNIMO,



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QUE É COMO SE QUEREM.
who could win a rabbit ANIMAL COLLECTIVE!
peacebone ANIMAL COLLECTIVE!
divine SEBASTIEN TELLIER!
elephant gun BEIRUT!
tell the world VIVIAN GIRLS!

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é com agrado que declaro:


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ISTO SIM é uma dúzia de cúmulos:
SONIC YOUTH. @ Paredes de Coura 2007

CORRESPONDÊNCIAS



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A relação entre o casal Vieira da Silva-Arpad Szenes e Mário Cesariny.
No ano em que se comemoram os 100 anos do nascimento de Vieira da Silva, chega-nos 'Correspondências', uma exposição que dispõe a correspondência entre os três artistas.
Até 4 de Outubro na Fundação Arpad Szenes - Vieira da Silva, Lisboa.
O centro de documentação da fundação mostra finalmente parte do trabalho que tem vindo a desenvolver ao tratar o espólio de correspondência entre diversas personalidades e o casal Szenes-Vieira da Silva.
Desta feita, mostra-se a relação entre o casal e o surrealista Mário Cesariny - por meio da correspondência e de obras referidas em "Castelo Surrealista", texto de Cesariny, dos anos 60 (publicado em 1984) centrado na obra do casal de pintores.



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O SUPREMÍSSIMO
ÍSSIMOÍSSIMOÍSSIMO!

'Ontem Não Te Vi Em Babilónia' REVISITED



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Ando a reler o ‘Ontem não te vi em Babilónia’, de Lobo Antunes, que me ofereceram no ano que passou, com a dedicatória rabiscada ao abrir:
‘Para a Besta, 2007. O Hi-Fi estava caro, portanto gramas com isto e já vais com sorte’
É fabuloso – o livro, o autor, a humanidade tão nua, tão visceral, tão patente – e ficaria sempre bem aconselhar lê-lo.
Mas não o farei.
Primeiro porque tentei calcular a probabilidade de pessoas que atenderiam ao pedido; segundo porque a escassa percentagem de indivíduos que o fizesse, possivelmente havia de entrar no estado de frustração em que este homem me põe sempre. E eu não quero isso. Afinal, quanto tento cozinhar ou impedir-vos de ler Lobo Antunes só quero tornar o mundo num sítio melhor…
Às vezes tenho pena de mim por o ter descoberto tão cedo. Essa descoberta significou a rejeição por minha parte de uma série de autores que tentei descobrir à posteriori – fiquei mal habituada, depois disto não há mais nada - me parece.
Não leiam. Experimentem antes um
strogonof, uma gelatina de banana Royal, ou um cheesecake (não cozinhados por mim, sublinhe-se), se ainda não o fizeram.
É que nem isso vos vai saber bem depois disto.

O livro retrata uma noite de insónia simultânea a várias pessoas.
A divisão dos capítulos vai sendo feita consoante as horas da noite (primeiro capítulo – meia noite; último capítulo – 5 da manhã) e os pensamentos vão-nos chegando através de monólogos interiores, surgindo torrencialmente, de modo repetitivo, meio-detorpados e/ou carregados de alguma alucinação característica do estado ínsone; CRUS, repletos de memórias, sentimentos, sensações acerca dos mesmos assuntos e acontecimentos, revelando-se a perspectiva de cada personagem.
O acontecimento central é um enforcamento. Um enforcamento bem bonito até. Com borboletas a cobrir-lhe a cara [agora tenho meio mundo a pensar que Lobo Antunes sucumbiu ao ‘movimento’ (?) emo…].
Agora vou ficar por aqui a tentar calcular a probabilidade de alguém ler o excerto até ao fim. Depois vou rir um bocado
(Sim, eu dactilografei esta merda toda!) e certamente que o riso não há-de chegar do meu sucesso a calcular probabilidades matemáticas mas antes por dedução. Depois dessa, é pois rir ócio
(Sim, eu dactilografei esta merda toda!)





Passagens de ‘ONTEM NÃO TE VI EM BABILÓNIA’,
de ANTÓNIO LOBO ANTUNES

Publicações D. Quixote 1ª Edição, 2006

“ ontem não te vi em Babilónia"
(em escrita cuneiforme num fragmento de argila, 3000 anos a.C.)

Chegava sempre antes da sineta quando ia buscar a minha filha e tirando a madrinha da aluna cega a cochichar cumprimentos em tom de desculpa sem que eu a entendesse
(de tão exagerada na infelicidade dava vontade de gritar - Afaste-se de mim não me aborreça)
não havia ninguém ao portão de modo que o recreio vazio excepto uma árvore de que nunca soube o nome com as folhas demasiado pequenas para o tronco e se calhar composta de várias árvores diferentes
(as mãos do meu pai minúsculas no fim de braços enormes, se calhar composto de vários homens diferentes)
o escorrega a que faltavam tábuas com o letreiro Não Usar e a porta e as janelas trancadas, derivado à impressão que ninguém lá dentro compreendi a madrinha da aluna cega, disse-lhe sem palavras
- Não é exagerada perdão
e como deixei de ter filha cessei de respirar (…) a madrinha da aluna cega aproximou-se carregando cheiros antigos e nisto que alívio a sineta
(-pieguice minha és exagerada sim)
a sacudir as folhas da árvore
(ou os braços do meu pai)

(…) - Não dizia que não a um cházinho
de lúcia-lima, de tília, das ervas que cercavam a macieira e não cortávamos nunca, apetece-lhe um cházinho das ervas junto às quais a minha filha se enforcou aos quinze anos senhora, apetece-lhe assustar-se com a boneca no chão, a cara contra barriga nenhuma que não deixava de girar, uma altura não à meia-noite como hoje
(ignoro como não tenho vergonha de dizer isto:)
mais cedo, encontrei o meu marido a experimentar uma saia minha e os meus brincos, igualzinho às mulheres de domingo na travessa,(…) mulheres de cabelo pintado vestidas de domingo nas suas ilhas de perfume espanhol (…)

A minha mãe: (…)a família seguia-a das molduras e a imagem dela em nova já amarga, já séria, nunca a visito no cemitério conforme nunca visito a minha filha, um lugar a ferver de ossos que procuram exprimir-se, a sineta da capela mais grave que a da escola, nomes que se decifram mal e a ninguém pertencem, a ilusão que uma criança um dia destes no portão e a gente a rodopiar contentes (…)

O meu pai, um fato como deve ser em vez de casaco curtíssimo, empregados que o respeitavam, não um, vários, uma unha suja
(não dele)
a apontar o globo terrestre
- O mundo é grande menina
na crença que eu imaginasse regiões infinitas numa porção de lata amolada no Pacífico e a povoasse a meu gosto, pretos com flechas, naufrágios, arranjar um marido, uma filha e um quintal com uma macieira, que tonta, como se um galho de macieira aguentasse sem quebrar uma rapariga de quinze anos (…)
em miúda morei perto de um cemitério e vi as fosforescências que se erguiam das lápides (…)
O arbusto de groselha iluminado no muro e a apagar-se em seguida, no arbusto não uma corda, o fio de estendal que nem se percebe como não quebrou com o impulso porque a minha filha desviou o banco com os pés, um dos pés pelo menos, deve ter principiado por colocar a boneca no chão
- Quero mostrar-se uma coisa repara (à boneca)
a amarrar a corda no galho
(…)
percebia-se a boneca, não a minha filha, na ponta da corda ou do fio de estendal que ia girando devagar, não de braços afastados, pegados ao corpo numa atitude de entrega, uma boneca de que as borboletas
(dúzias de borboletas)
de que dúzias de borboletas me impediam de notar feições, notar a minha filha em casa a começar a comer empurrando para a borda do prato com a delicadeza do garfo
(não é por ser minha filha mas sempre teve modos distintos)
os legumes de que não gostava, a minha filha a começar a comer, acho que fui clara e peço que me não contrariem neste ponto, a minha filha a começar a comer desculpando-se
- Como nunca mais vinha fui começando a comer
a minha filha a começar a comer, a minha filha viva e de uma vez por todas se não me levam a mal
(espero que não me levem a mal)
não se fala mais nisso.
(…) Uma filha, dei-lhe a boneca numa embalagem com um laço e afastei-me o mais depressa que pude antes que agradecesse, nunca a beijei nem dei a entender que consentia beijos, pedi
- Anda cá
escapando a essa parvoíce a que chamam ternura, que me importa a ternura, para que iria servir-me, importa-me que os ruídos cessem, os do jardim, os da casa e os dos cachorros atribulados de desejo lá fora, o do mundo em resumo, permitam-me que envelheça em paz esperando que misturem os meus ossos com costelas e tíbias alheias num buraco qualquer desde que livre da maçada de um filho a quem seria necessário passear pela mão, consolar, garantir
- Estou aqui
quando julgam que nos perderam e não nos ganharam nunca, assistirmos a uma criança a crescer tornando-se tão amarga quanto nós que esquisito (…)

Deviam sepultar as pessoas com tudo o que lhes diz respeito impedindo-as de continuarem a incomodar-nos à superfície do mundo, de que serve morrer se permanecem aqui dúzias de lágrimas prontas a surgir de cada gaveta, cada arca, cada ângulo da memória, solicitando
- Chorem-nos
desejosas de encontrarem pálpebras a jeito, as nossas
- Somos tuas não vês?
espiolharem-nos por dentro desencantando remorsos onde julgávamos nem um mal
estar para amostra, se reparar lá estão os objectos tentando convencer-nos com os seus pequenos ardis
- A tua avó gostava de mim
- Pertenci ao teu padrinho

- Quando eras pequeno não me largavas nunca
(…)

Para quem chegou aqui sem saltar e está mesmo a pensar ler o livro, informo que tem 479 páginas, o que é mais de 20 e quase 500; mais informo que quem mo ofereceu é distraído e à laia disso sei que está à venda a 20,97€ no sítio do costume – exacto, o Pingo Doce. Oh, agora já não posso usar aquele ‘só sei que nada sei’. Bolas…
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OS VOYEURS.