8 Femmes (2002)
de François Ozon
França/ItáliaOito mulheres á volta de um assasinato de um homem, um enredo cheio de infidelidades, mentira e alguma homossexualidade, em disposições e interpretações perfeitamente teatrais (desde o cenário único da mansão francesa isolada pela neve, ao dramatismo muitas vezes gritante nas personagens, e a comprovar-se na alinhada colocação final das actrizes na cena em jeito de vénia de agradecimento), com oito momentos musicais a brilhar em cada uma - mais coisa, menos coisa - que fazem deste filme mais um a entrar directamente para a lista dos excepcionais musicais que consigo tolerar. Brilhantes interpretações onde se destacam veteranas como C. Deneuve ou Isabelle Huppert, mas também petizes pirilampos ascendentes - Chloe Sevigni que em 2007 volta a aparecer em Les Chansons d'Amour (para imediatamente desaparecer e destroçar Louis Garrel), e que surge também em:
Swimming Pool (2003)
de François OzonFrança/Reino UnidoUma história de escrita, isolamento e solidão, juventude e meia-idade, sexo e crime, repulsa e cumplicidade. Toda em torno de uma piscina que tudo vê. Lá prós lados da França campestre.
Ambos Recomendáveis.
THIS IS WHERE WE LIVEum vídeo stop-motion pela APT STUDIOe ASYLUM FILMS
para a comemoração dos 25 anos da editora 4th ESTATE
Fazendo uso de mais de 1000 livros e 3 semanas de filmagens em stop-motion, os produtores Apt Studio em conjunto com a Asylum Films criaram um belíssimo filme comemorativo do 25º aniversário da editora 4TH ESTATE que contém inúmeras private jokes e referências aos livros publicados pela editora e em que personagens de papel se vão deslocando por uma urbe igualmente de papel. Desde os navios no porto, ao cinema em Soho, ao homem a pescar no Central Park - tudo é feito de livros, capas, páginas e palavras. No website da campanha é possível acompanhar as fotos do making-of.
Réquiem por Ruth HandlerMorreu ontem a mãe da Barbie,a boneca adolescente. À semelhança deAtena, Barbie saiu armada dum cérebro, não divino, mas industrioso,com a longa cabeleira e a azúlea mirada.
Morreu a mãe da Barbie, a filhaque nunca será órfã, pequeno duendede sutiã 38 e de 33 polegadasde altura. Trinta e três polegadasmultidesejantes de sonhoanatomicamente impossível. Morreu a mãe da Barbie, quefaz balé, esqui, patins em linha etodos os desportos radicais e temum namorado elegante que jamaisa trairá e amigos tão anatomicamenteimperfeitos como ela.Morreu a mãe da Barbie, que vaia todas as festas com muitosvestidos de gala e emagreceuhá uns anos, qual Naomi Campbell, paraser consumida pela boaconsciência racial do Ocidente. Morreu a mãe da Barbie, que jamaisa viu, assim anatomicamente imutável,padecer de uma gravidez adolescente.A Barbie é sabida e deve ter tido educaçãosexual. Que fará ela com o Kenno regresso de tantas festas? Nem paixão nem desgosto nem fomeou uma boa sova dos adultos alterama sua fábula de plástico, muito menosfabulosa do que a de Branca de Neve ou ada Bela Adormecida, onde existiamhumanas bruxas, vencidas maldiçõese príncipes que davam beijos para acordar. Morreu a mãe da Barbie, cedo demaispara inventar uma Barbie de burka,ou com explosivos escondidos no cinto. Nofim da vida continuava a vender milhõesde próteses mamárias, na seqüência da suaprópria mastectomia. Coisas sem brilho,impossíveis de acontecer à Barbie.INÊS LOURENÇO.
A minha biografia é evidentemente excepcional: Tive um Pai, uma Mãe, nasci numa Casa, fui à Escola da vila,depois do concelho, mudei de distrito para continuar.
Os meus contemporâneos alimentam
uma curiosidade fétida.