Filha da putice, com uma ou outra dedicatória muito especial.#2



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ESTIMADOS COMPATRIOTAS:
Acerca do filho-da-puta, como acerca de muitas outras coisas, correm neste país as mais variadas lendas. Há até quem seja de opinião de que o filho-da-puta a bem-dizer nunca existiu, dado que ele é apenas um modo de mal-dizer. Nada, porém, mais falso. É certo que o filho-da-puta às vezes não passa de um modo de dizer, mas não bastará a simples existência, particular e pública, de tão variados retratos seus, para arrumar com as dúvidas acerca da sua existência real? Pois quem teria imaginação suficiente para inventar tantas e tais variedades de filho-da-puta, caso ele não existisse? Não! O filho-da-puta existe. Em todos os lugares, excepto no dicionário. No dicionário existem variados filhos, entre eles o filho-família, o filhastro e o filhote, mas não existe o filho-da-puta. Em compensação, o filho-da-puta existe em todos os outros lugares. Claro que há lugares que ele de preferência ocupa e onde por conseguinte é mais frequente encontrá-lo; no entanto, exceptuando, como ficou dito, o dicionário, não há lugar onde, procurando bem, não se encontre pelo menos um filho-da-puta.
Alberto Pimenta
Discurso Sobre o Filho-da-Puta (6.ª edição)
Porto, 2010.

Menino Jesus.



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Menino Jesus, tens mesmo de me perdoar os pensamentos, palavras, actos e omissões mas o John Lennon era um chato do caralho e acho que depois, ainda por cima, na paz, deu-lhe p'ra deixar criar piolhos - como tu - e a Yoko também é uma chata e ainda por cima nem sequer fazia a depilação, que eu vi fotos - como acredito que, salvo excêntricos requisitos do ofício, a Maria Madalena também não fizesse. Não posso gostar deles. Eu gostava era do McCartney que era fófinho e sexy - como nos querem fazem crer que tu eras, tirando aquela parte de teres piolhos e a de a tua tez não se enquadrar propriamente na minha concepção de tez médio-oriental; Além disso, gostar de toda também gente é uma cena bué da paneleira, não é? Beijinho, beardy bear.

Presságios made in 1984.



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Tu, que de cedo torceste o pepino #2.



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Menino Jesus, sabia que ias sacar da complacência e, tentando compensar esse nefasto caso dos cornichons, presentear-me com o melhor piropo que jamais me foi endereçado nesta vida.
Um escândalo, um escândalo!

Tu, que de cedo torceste o pepino.



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Menino Jesus, haverá maior angústia no Mundo do que a de comprar um frasco de cornichons e não haver um paneleiro em casa com competência para abri-lo? Tenho a certeza que não.

Esboçando curtes em estrangeiro. Curtas*, enganei-me.



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Jane - He's cute, plays guitar and seems kinda those fragile lovely mini-pieces you just don't find every hour around every corner. Well, not a whole package but some package anyway...
Even his speech problem is cute... ( ) Don't you think? 
Chloe - Easy. He loves too many people, in too many places, at the same time, and in the most meaningless ways, and words.
Jane - ... What the fuck is your problem? 
( )
Chloe - I love him. 
Jane - Nooo... 
( ) 
Chloe - But I could. 
( ) 
Jane - Start smoking, please.
  

Jane - There's just several things I still don't understand. 
Chloe - Schrodinger's cat? 
Jane - 'bout you. 
Chloe - Keep on smoking, please. [...]
 
© Johnnys Bird - www.johnnysbird.com

Na minha terra chamam-lhe analgésicos.



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O que acontece entre nós acontece há séculos. 
Sabêmo-lo da literatura.
 Adrienne Rich, Uma Paciência Selvagem 
Livros Cotovia, Lisboa, 2008

 
O amor não resolve nada. (...) Levamos já dois mil anos dizendo-nos isso de amar-nos uns aos outros. E serviu de alguma coisa? Poderíamos mudá-lo por respeitar-nos uns aos outros, para ver se assim tem mais eficácia. Porque o amor não é suficiente.
Saramago, el Pesimista Utópico 
Turia, Teruel, nº 57, 2001 
Via Outros Cadernos de Saramago

Bairro de Putedo Tour.



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A terceira foi a mais cara.

Uma coisa em forma de assim, a título provisório.



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Aproveitando essa efeméride do Dia Mundial da Música, cuja celebração se reserva, precisamente, para o dia de hoje, 1 de Outubro, darei início a um novo canto no Cotonetes. Não sei como se vai chamar mas também não estou certa de que precise de um nome.
Basicamente, uma vez por semana, dar-vos-ei conta das coisas, dentro da cena musical, de que fui sabendo entretanto. Por vizinhos, comadres e compinchas.
Não prometo, pelos mais variados motivos, que o faça garantidamente uma vez por semana; Prometo-vos, no entanto, ser absolutamente sucinta e cronologicamente atrasada; justa, honesta, coerente e imparcial; deslumbrada, para mal dos meus pecados; e mal-educada, sempre que possível. Prometo-vos nunca saber ser Ípsilon.
Garanto assim, à partida, um antro pejado de indivíduos sem nome a mandar-me para sítios e situações mais ou menos interessantes. Ai, e o que eu gosto de mudar de ares, senhores.


 
Birds Are Indie | PT
É português (canta-se em inglês). São um casal, juntos há 12 anos, vindos de Coimbra e, aparte encontrar uma certa semelhança de timbres entre a voz dele e a do JP Simões, o tipo de música nada tem que ver com anteriores projectos que estamos habituados a ver sair desta cidade, que, sem pensar demasiado, facilmente conectamos ao rock'n'roll. Têm dois EP's de que podem fazer download gratuito aqui. Cá eu gosto mais deste último, "Life is Long". Estreiam-se em concerto este sábado, 2 de Outubro, às 23h na Sociedade Harmonia Eborense, em Évora. Gosto de tudo, menos do nome. 

 
DOWNLOAD - birdsareindie.bandcamp.com  
MYSPACE - www.myspace.com/birdsareindie  
FACEBOOK - Página no Facebook




Steve Lucky & The Rhumba Bums | USA
O tipo de coisa que ouço no Carnaval. Estão a ver aquelas bandas de festa, a entreter os bailaricos dos anos 20/30, lá nos Estados Unidos? É isso. Blues-Jazz do bem antiquado, feito agora. Não tem por onde enganar.
Parecem ser uns perfeitos desconhecidos. Encontrei-os por acaso, numa das emissões da Rádio3, que é bem boa; pena que se fale um inglês das cavernas que uma pessoa vê-se fodida para apanhar qualquer nome que seja: bandas, canções, álbuns. É bom e eu gosto.




 Social Studies | USA
É para ouvirem este álbum. Agora dando aquele ar de profissional, Numa escala de 0 a 5, é o tipo de álbum que classificaria de Bem Fófinho. Já aqui tinha postado esta faixa e acho que até fica muito melhor ao vivo. 
Se não comprovem. 
 
www.socialstudiesband.com 
www.lastfm.com.br/music/Social+Studies www.myspace.com/socialstudies101 








My Pet Saddle | USA
Quatro rapazitos californianos, mais uma cavalona e umas guitarras. Apareceram aí, não há muito, com um álbum de estreia chamado "Laughing at Me". A mim, pessoalmente, são capazes de me lembrar, no máximo, uns Black Lips. Enfim, é bom e eu gosto.
www.myspace.com/mypetsaddleband 
Página no Facebook









 Sex Beet | UK
Ui senhores, que barulheira desgraçada, muito inglesa, muito bem-vinda; digna da Garage do meu médico de família que, coitado, tem um filho muito dado à Hemodiálise - disse-mo no outro dia - e ao [H]Emo-Core - acabou por confessar a seguir, por entre dentes. Parece que são dois irmãos, a que se juntam, de vez em quando, mais uns gajos, está visto. É bom e eu gosto. 
 
www.myspace.com/sexbeet
www.lastfm.com.br/music/Sex+Beet  











P.S. Para a semana, espero ter-vos alinhavado um post com as coisas mais catitas de se ouvir em terras espanholas, feitas por gente espanhola. Até lá, se tiverem nomes de rubrica para opinar, sou toda olhos, sou toda ouvidos.

Notícias do mundo editorial.



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Adoro quando avisam que o livro X já está a imprimir. Deleitam-me ainda mais quando sorteiam visitas à gráfica onde o Livro está a imprimir.

A estraga-fodas.



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( Ainda sobre Myra, de Maria Velho da Costa. )


Arrancada ao Brecht

 
Primeiro: digam-me o que disserem, acho que a Maria Velho da Costa não tinha nem a idade nem o direito de se deixar deslumbrar desta maneira.
Myra é um livro de passagens e de ideias interessantíssimas - a leitura vale, desde logo, por isso. Mais interessantes até a uma segunda, terceira, quiçá, quarta leitura. Porque se repara em pormenores que pareceram coisas banais à primeira mas que não o são, na realidade. A nível de escrita não tenho nada de que me queixar. Nem preciso, nem quero, nem devo; tampouco posso.
O que me chateia até ao tutano, neste livro, prende-se com a própria estória, que aparece desenrolada num conjunto de, como referi, passagens e ideias interessantíssimas mas, a meu ver, um tanto ou quanto deslocadas de contexto. Perdoem-me o desencanto, mas há muito que deixei de conseguir imaginar situações literárias de gabarito reportadas ao nosso pequeno rectângulo (tampouco à ilha da Madeira), principalmente quanto se pretende pejá-las de personagens de uma riqueza cultural que assenta que nem uma luva à Literatura mas que nada tem que ver com a nossa realidade social. E este caso é sintomático: Uma imigrante russa ao abandono numa praia... da Caparica; que, do alto dos seus 14 anos, passados em grande parte numa vida de clandestinidade e precariedade, decide baptizar um cão que encontra na praia de Rimbaud (dissimulando, no entanto, o nome para Rambô); encontrada depois por um camionista chamado... Kleber que a leva para uma quinta de uma pintora que acaba por se vir a perceber, mais tarde, ser sua amante. Por outra palavras, uma Paula Rego generosíssima que lhe mostra grandes filmes, e grandes livros e grandes je ne sais quois. E aqui entra a parte da citação, do deslumbramento, que se prolonga por todo o livro. Ele é Camões, Herbertos Helder, Pasolinis, nhó nhó nhó, nhó nhó nhós. Coisas de culto, coisas imprescindíveis. Há frases que parece que foram ali encaixadas para que se pudesse encaixar mais uma citação "Myra entende que o dia foi de passos em volta". Como se se tivesse de provar aos leitores alguma coisa; como se houvesse essa necessidade. Eu não precisava que me provassem nada, queria que me dissessem coisas que eu já não soubesse. É muito bonito um Pasolini sim senhora, e depois? A casa das citações e dos deslumbramentos é a dos 20, a minha. De se mostrar que se conhece isto e aquilo, e não sei quê e não sei que mais (e, quem sabe?, à pala disso, um ou outro engate com alguma categoria). Como nesses filmes de agora que gostam de apelidar de "indie": citações, referências, banda sonora disto, banda sonora daquilo. Indie is the new hype, e depois? Aborrece-me. As pessoas metem-se com os Nomes mas não os querem sofrer, querem mostrá-los.
Myra desce depois ao Algarve encontrando um mestiço de quem se enamora. E onde mora o rapaz? Numa cabana? No circo? Numa quinta? Não, numa casa inteligente! Daquelas com botões. Isto foi a gota final. Uma casa inteligente é tudo, tudo, tudo menos literária.
Mas isto sou eu a implicar, a apontar o dedo, a torcer o nariz. Como de costume. Apesar de tudo, na generalidade, gostei e, inclusive, recomendo.
 Como sou muito estraga-fodas conto-vos o quase-fim, que é o seguinte: tanta coisa, tanta coisa e, vai-se a ver, e o Dom Juan, que tem uma casa inteligente, que tem uma égua e uma gata persa, filmes, filmes, filmes, vinis, vinis, vinis, óperas, óperas, óperas e não tem uma pila. É de um(a) leitor(a) perder a pica. E poderia agora dizer-se, quase literalmente, que sou uma grande estraga-fodas.
(Não tanto quanto a Maria, é certo.)
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OS VOYEURS.