O meu all time favorite (até à data), aqui numa versão "audiovisionada", aliás, várias versões, que lhe fazem todo o jus.



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Afinal o que importa não é a literatura
nem a crítica de arte nem a câmara escura

Afinal o que importa não é bem o negócio
nem o ter dinheiro ao lado de ter horas de ócio

Afinal o que importa não é ser novo e galante
- ele há tanta maneira de compor uma estante!

Afinal o que importa é não ter medo: fechar os olhos frente ao precipício
e cair verticalmente no vício

Não é verdade, rapaz? E amanhã há bola
antes de haver cinema madame blanche e parola

Que afinal o que importa não é haver gente com fome
porque assim como assim ainda há muita gente que come

Que afinal o que importa é não ter medo
de chamar o gerente e dizer muito alto ao pé de muita gente:
Gerente! Este leite está azedo!

Que afinal o que importa é pôr ao alto a gola do peludo
à saída da pastelaria, e lá fora - ah, lá fora! - rir de tudo

No riso admirável de quem sabe e gosta
ter lavados e muitos dentes brancos à mostra



Mário Cesariny
1923-2006


Nobilíssima Visão
Mário Cesariny
Assírio & Alvim

What we most want is bad for us, we know.



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Cults | USA
OUVIR facebook | myspace | last fm











(...)
My mother told me you'll reap what you sow
what you most want is bad for me you know 


(...)
Late in the morning I wake
all alone, I'm crying
crying for all of the people who love me so
but when we get sad we know where to go
what we most want is bad for us we know

 
[ flirtation
drug use
and adultery ]

imeet Van Gogh.



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(Conversações de Domingo à tarde. Sem  a gata. Sem piercing. )


Primeiro quarto em Lisboa.



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Primeiro quarto em Lisboa

onde vivi oito meses: da janela
sobre o beco via o tráfego nocturno
entre muros com recados e desenhos
obscenos, sob o castigo da música
de um bar entretanto extinto.
O lugar era assombrado

pelo cheiro da doença
(...* grave supressão de minha
autoria e vontade *...)
no meu último dia
deu-me um livro do Eugénio
que mantinha à cabeceira, esquecido
por outro hóspede "dado às letras"
como eu. Penso muitas vezes nele
e naqueles que lá moravam

em plenos anos noventa, gente
que eu só encontrava a desoras,
na cozinha, à volta do frigorífico
de serventia comum. Era no tempo
dos versos que levavam a outras
praças — chegava tarde do Bairro,
o torpor entre as paredes

incitava à procura das palavras
de um poema que me ajudasse
a mudar. E quando me lembro disso
penso no muito que quis encontrar
uma saída, e nas portas que fechei
e nas esperanças que traí desde então
na minha vida.


Rui Pires Cabral
in Oráculos de Cabeceira,
Averno

From Portugal, with love.



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" WE TRUST é André Tentugal. O jovem realizador português (que já trabalhou com bandas como os X-Wife, Mind da Gap ou Teratron), dá espaço a uma outra faceta: a de músico.

A primeira música, "Time (Better Not Stop)", é apresentada com um vídeo realizado pelo sueco Rickard Bengtsson. Grande linha de baixo, um minimalismo com qualquer coisa de post rock e recurso a voocoder nas vocalizações são as bases de exploração de um tema que deixa muita expectativa para o disco. Podem fazer o download do single aqui em www.wetrust.co "

Resumo explicativo de uma vida passada a tentar explicar.



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Van Gogh, Pina, Gatos, Mondrian.



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Há muitos gatos pela casa do poeta. Como também os há na poesia de Manuel António Pina. Poemas que são como gatos: insinuantes e discretos mas simultaneamente, aos poucos, ocupantes quase invisíveis de um território cada vez mais vasto. Em cada gato há outro gato, escreve. Tal como em cada poema há outro poema, sugere o poeta. Em mais de trinta anos de actividade literária, Manuel António Pina tem-se desdobrado entre a poesia e a literatura infantil. Uma e a mesma coisa, assegura o poeta com aquele seu sorriso sempre na fronteira entre a candura e a ironia. Com ele e com as palavras está-se em boa companhia.
 A introduzir uma entrevista de 2006 à Revista LER, dirigida por  Carlos Vaz Marques. Para ler na íntegra aqui.



Van Gogh Mondrian
Uma vez um anjo apaixonou-se por van gogh e veio vê-lo
van gogh pintou-o naquela cadeira, te acuerdas federico bajo la tierra?
o anjo depois foi-se embora e van gogh ficou com o tabaco estragado

mondrian também tinha um anjo mas o dele era mau
não se importava com coisa nenhuma batia-lhe nos olhos
Manuel António Pina, in "Poesia Reunida", 2001

II. Democracia.



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Sou um democrata até ao ponto de amar o sol livre nos homens
e um aristocrata até ao ponto de odiar as pessoas néscias e possessivas.

Amo o sol em qualquer homem
quando o vejo na sua fronte
límpido e sem temor, mesmo que seja pequeno.

Mas quando vejo aqueles homens cinzentos e bem sucedidos
tão hediondos e semelhantes a cadáveres, totalmente sem sol,
como escravos gordos e bem sucedidos, meneando-se mecanicamente,
então sou mais que radical e quero servir-me da guilhotina.

E quando vejo os homens que trabalham
pálidos e miseráveis como insectos, apressados
e vivendo como piolhos, com pouco dinheiro
e sem nunca prosperar,
então desejo, como Tibério, que a multidão tivesse apenas uma cabeça
para que eu a pudesse decepar.

Sinto que as pessoas para quem o sol não existe
não deviam viver.

D.H. Lawrence
Tradução de Maria de Lourdes Guimarães
in Os animais evangélicos e outros poemas, Relógio D'Água
Via O Melhor Amigo

I. Poética.



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Todos temos um amigo morto
e um amor que se foi, ao amanhecer,
e nos deixou a luz feita em pedaços.

Um pai e uma mãe que se esgotam,
uma foto em Lisboa, um cão tonto,
dois ou três livros, quatro ou cinco quadros.

Todos temos uma rua escura,
uma avenida que nos reconhece,
uma árvore velha e um antigo pátio.

E a certeza de que tanto é nada,
a desgraça de ser o que perdemos,
a sorte de viver para contá-lo.


Ángel Mendoza
Tradução de Inês Dias
in Cercanías, 2002
Via O Melhor Amigo

Obsolescência Programada.



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Comprar, tirar, comprar from Dinero Libre on Vimeo.


Baterias que "morrem" com apenas 18 meses de uso, impressoras que bloqueiam ao alcançar um determinado número de impressões, lâmpadas que se fundem ao atingir mil horas… Porque é que será que, apesar dos avanços tecnológicos, os produtos de consumo tendem a durar cada vez menos?

Filmado na Catalunha, França, Alemanha, EUA e Gana, o documentário "Comprar, descartar, comprar" faz uma viagem através da história de uma prática empresarial que consiste na redução deliberada da vida útil de um produto para incrementar o seu consumo pois, como foi publicado em 1928 numa revista de publicidade dos EUA, "um produto que não se gasta é uma tragédia para os negócios".

O documentário, dirigido por Cosima Dannoritzer e co-produzido pela TVE espanhola, é o resultado de 3 anos de pesquisa. Fazendo uso de imagens de arquivo pouco conhecidas, fornece provas documentadas e mostra as desastrosas consequências ambientais provocadas por esta prática. Apresenta ainda vários exemplos do espírito de resistência que está a crescer entre os consumidores e a análise e opinião de economistas, designers e intelectuais que propõem alternativas para salvar a economia e o ambiente.


Uma lâmpada na origem da obsolescência programada
Tomas Edison fez a sua 1ª lâmpada em 1881. Durava 1500 horas. Em 1911, um anúncio na imprensa espanhola destacou os benefícios de uma marca de lâmpadas com um certificado de duração de 2500 horas.

Contudo, tal como é revelado no documentário, em 1924 um cartazque reuniu os principais fabricantes na Europa e nos EUA negociou de forma a limitar a vida útil de uma lâmpada eléctrica para 1000 horas.

O cartel foi chamado de "Phoebus" e oficialmente nunca existiu, mas em "Comprar, descartar, comprar" é mostrado este ponto de partida da obsolescência programada, que hoje é aplicada em produtos electrónicos de última geração, como impressoras e iPods, ou na indústria têxtil.


Consumidores rebeldes na era da Internet
Através da história da obsolescência programada, o documentário descreve o percurso da economia nos últimos cem anos e mostra um facto interessante: a mudança de atitude dos consumidores, através do uso das redes sociais e da Internet. Os casos dos irmãos Neistat, do programador de computador Vitaly Kiselev e do catalão Marcos López demonstram isto.


África, o aterro electrónico dos países desenvolvidos
Como vemos nesta pesquisa, países como o Gana estão a tornar-se a lixeira electrónica dos países desenvolvidos. Periodicamente, centenas de contentores chegam cheios de resíduos com o rótulo de “materiais em segunda mão” para, eventualmente, serem despejados em rios ou campos onde crianças brincam...

Além da denúncia, o documentário dá visibilidade aos empresários que implementam novos modelos de negócio e ouve as alternativas propostas, como por exemplo a de Serge Latouche, que fala sobre a importância de se empreender a revolução do “decrescimento”, ou seja, a redução do consumo e da produção de forma a economizar tempo e desenvolver outras formas de riqueza, como a amizade ou o conhecimento, que não se esgotam ao serem usados.

Viver sempre também cansa.



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Viver sempre também cansa.

O sol é sempre o mesmo e o céu azul
ora é azul, nitidamente azul,
ora é cinzento, negro, quase-verde...
Mas nunca tem a cor inesperada.

O mundo não se modifica.
As árvores dão flores,
folhas, frutos e pássaros
como máquinas verdes.

As paisagens também não se transformam.
Não cai neve vermelha,
não há flores que voem,
a lua não tem olhos
e ninguém vai pintar olhos à lua.

Tudo é igual, mecânico e exacto.

Ainda por cima os homens são homens.
Soluçam, bebem, riem e digerem
sem imaginação.

E há bairros miseráveis sempre os mesmos,
discursos de Mussolini,
guerras, orgulhos em transe,
automóveis de corrida...

E obrigam-me a viver até à Morte!

Pois não era mais humano
morrer um bocadinho,
de vez em quando,
e recomeçar depois,
achando tudo mais novo?

Ah! se eu pudesse suicidar-me por seis meses,
morrer em cima dum divã
com a cabeça sobre uma almofada,
confiante e sereno por saber
que tu velavas, meu amor do Norte.

Quando viessem perguntar por mim,
havias de dizer com teu sorriso
onde arde um coração em melodia:
"Matou-se esta manhã.
Agora não o vou ressuscitar
por uma bagatela."

E virias depois, suavemente,
velar por mim, subtil e cuidadosa,
pé ante pé, não fosses acordar
a Morte ainda menina no meu colo...


José Gomes Ferreira,
in "A Poesia da «Presença»"
Cotovia, 2003

VIA O Café Dos Loucos

Vivian Maier.



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Vivian Maier ?
vivianmaierprints.com
 











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