Onde quer que eu esteja, em qualquer lugar
na Terra, escondo dos outros a certeza de
que n ã o s o u d a q u i. Alguns gostam de poesia - Antologia Czeslaw Milosz e Wislawa Szymborsk
« Nem o raio de uma única pessoa, de entre todos os
colunistas e críticos de 4ª categoria, tinham alguma vez visto nele
aquilo que realmente era. Um poeta, c’um caraças! E estou a dizer poeta.
Mesmo que não tenho escrito uma linha de poesia, era capaz de nos comunicar
o que sentia só com o mexer das orelhas, se ele quisesse. »
J.D. Salinger
em Carpinteiros, levantai alto o pau de fileira (Ed. Difel)
Sonho com uma casa claustrofóbica, um emprego anónimo e mecânico numa terra sem presente nem futuro; sonho ser impotente e já desonerado de qualquer prova da minha existência; sonho-me em silêncio, quase pétreo, e sem ninguém que me trate por tu; sonho-me a viver apenas para o relógio, pontualíssimo a abrir e fechar portas e persianas e caixas e olhos; sonho-me remediado de dinheiro, à justa, cozendo uma cavala, descascando uma maçã, sem que a maçã seja mais que uma maçã; sonho-me a apagar a luz atrás de mim, tacteando no escuro uma parede escura, sem memória de qualquer outra parede; sonho-me a adormecer em Maio e acordar em Setembro para escapar à agressão do sol; sonho-me a beber apenas água e a tomar comprimidos para os rins e a urinar dolorosamente pouco; e sonho mais: sonho que nunca te vi.
Como lobos em períodos de seca
crescemos por toda a parte
amámos a chuva
amámos o outono
um dia até pensámos
em enviar uma carta de agradecimento ao céu
com uma folha de outono como selo de correio
acreditávamos que as montanhas desapareceriam
os mares se dissipariam
apenas o amor seria eterno
de súbito separámo-nos
ela gostava de sofás compridos
e eu de longos navios
ela gostava de sussurrar e suspirar nos cafés
eu gostava de saltar e gritar nas ruas
e, apesar de tudo,
os meus braços vastos como o universo
estão à espera dela.
"Nem todas as verdades são para todos os ouvidos."
"Ódio é um amor que fracassou. E vice-versa."
Tinha um ligeiro feeling de que isto de dar tempo de antena a fashion victims ainda um dia havia de dar raia.
Agora, enquanto decidem se a rapariga quer'ma mala ou afinal já não quer'ma mala, resta-nos esperar que a Samsung descubra que o Sr. Frazão, da Rua da Junqueira (que vende as melhores e mais baratas alheiras de toda a zona ocidental de Lisboa), tem uma opinião bastante definida sobre os "televisores fininhos" da Samsung; que os recomendou aos vizinhos lá da rua e que, ouvi dizer, até o Sporting parece jogar melhor nos verdes daquela televisão. O senhor Frazão não falha.
[quem passar pela vitrine do tasco e o vir a virar entrecosto ao meio-dia,sabe que o senhor Frazão não falha : Não há tempo.]
Tive um part-time na Sumol de Pombal : chegava lá, encostava-me a uma máquina e ficava a ver as garrafas a passar - a passar - a passar à espera que aparecesse uma que fosse defeituosa (rótulo, rolha, mossa). Era péssimo. A parte boa era que me deixavam ouvir música à vontade e, à pala disso, acabei por ouvir alguns álbuns que, de outra forma, provavelmente me teriam escapado. Lembro-me de, a partir de alguns deles, ter tido algumas ideias para curtas (homónimas), por lhes ter sentido uma coesão muito especial : Modern Guilt (do Beck), Real Life (Joan as Policewoman), Dear Science (dos TV On The Radio). Como tirar apontamentos - lá isso - não me deixavam, acabei por me ir esquecendo do que tratavam (salvo raras imagens fugazes; e os nomes que lhes daria, claro; e as bandas sonoras que meteria, claro).
Na altura, produzia-se um Sumol Laranja com Chocolate, que hoje, graças a um comentário da Sumol no Facebook, acabei por confirmar que já não existe (ainda bem, porque era mesmo uma merda!). Foi um comentário essencialmente informativo: não é bom, não é mau; é verdade. E há lá coisa de que eu goste mais do que da verdade?
Fora isto, não me peçam opiniões sobre a Sumol : são completamente enviesadas. Se me perguntarem "Sumol?" e me derem meio segundo para responder, não se admirem que vos venha falar de passadeiras ou engrenagens.
E depois, a notícia do dia. A única.
AMOUR, esse murro no estômago, na corrida aos Óscares. Com 5 nomeações, com a Rita Blanco - a grandessíssima Rita Blanco - com o peso do Mundo cingido a quatro paredes.
Anne Hataway, a minha Anne Hataway, na mira (Hélas, que se fazia tarde!). E ainda a pequena (e, segundo consta, grande) Quvenzhané Wallis, que me preparo agora mesmo para descobrir quem é.
Não sei o que se passa com 2013,
mas está a ser inacreditável.
Cansado de escribir sobre pájaros de verlos escucharlos cada mañana de leer sobre pájaros suaves y rapidos cansado cansado de esa imagen repetida acabé con todos los pajaros del vecindario después acabé con los pájaros de los poemas después con los poemas y por ultimo soñé soñé que yo era un gran pájaro y no me animé bajé el caño del revólver. Juan Carlos Moisés
A minha biografia é evidentemente excepcional: Tive um Pai, uma Mãe, nasci numa Casa, fui à Escola da vila,depois do concelho, mudei de distrito para continuar.
Os meus contemporâneos alimentam
uma curiosidade fétida.