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"Finding Vivian Maier" - o documentário - e "The 8mm Films of Vivian Maier"



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o documentário sobre a fotógrafa Vivian Maier de quem já aqui falei,
estreou na semana passada no Toronto Film Festival.
Realizado por David Maloof e Charlie Siskel, relata a descoberta do seu arquivo fotográfico escondido e revela a sua história de vida.




***

The 8mm Films of Vivian Maier
These fragile, observational clips uncover Vivian Maier’s largely unseen experimentation with film. The New York-born photographer spent 40 years working as a nanny in Chicago, simultaneously fostering a secret passion for image-making that led her to document the urban life of America, enjoying her productive peak in the 50s and 60s. When she died in 2009, the thousands of images that she amassed during her lifetime were only just beginning to be discovered. After winning a bid for 30,000 of Maier’s negatives in a Chicago auction house in 2007, it took 6 months for Mr. Maloof to realize the importance of what he had purchased. VIA NOWNESS

Das coisas mais bonitas que vi nos últimos tempos.



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É NA TERRA NÃO É NA LUA (2011), de GONÇALO TOCHA. trailer | site

A senhora que fazia queijo ensinou-me que os queijos são como os bebés, só que não choram e vi aqui todo o interesse em nutrir um cada vez maior carinho por este género de lacticínio (pelo menos enquanto as propostas de abono familiar não se tornarem decentes).


O senhor da oficina, Corvino por adopção, diz-nos que tem muito muito que fazer, mas que não lhe apetece nada; que um homem na ilha, sem mulher, dá em doido.
Acaso a maioria dos espectadores - tal como eu, até então - nunca haverá assimilado que os serviços de prostituição, apesar de um bem de valor indelével para a sociedade, lamentavelmente, ainda não chegam ao Corvo; que comprar uns momentos de amor, poderá irremediavelmente passar por ter de comprar também um bilhete para a avioneta e que, para mais, é referido no filme que nos últimos anos as ovelhas praticamente desapareceram da ilha.


E em época eleitoral, os habitantes, extasiados pelo corrupio que os megafones e cartazes trazem à ilha, garantem que a política é a melhor coisa que pode haver - Nós quase acreditamos. 

Algures a meio do filme do Gonçalo Tocha (mais para o fim do que a meio, sejamos precisos e fujamos ao hábito linguístico) um birdie, deleitado observador de aves norte-americano, diz-nos que certa vez viu, na Ilha do Corvo, um pássaro tão raro que vomitou. 
Foi nesse momento que achei que seria injustíssimo se não vomitasse também eu, ali, naquela sala de cinema, àquela hora, homenageando com a devida brutalidade - a do pós-opio - uma das coisas mais bonitas que tinha visto nos últimos tempos - aquela projecção, naquela tela, à minha frente, àquela hora.

 (não vomitei, guardei tudo) 

Angels In America.



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Angels In America (2003), de Mike Nichols.

You Taste Like A Song.



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The Extraordinary Ordinary Life Of José Gonzàlez
The film revolves around the life and mind of musician José González. Using congenial methods; video diary, surveillance camera, concert footage, tour documentation and animation,
directors Mikel Cee Karlsson and Fredrik Egerstrand give form to something as elusive as the creative process of one of Sweden’s finest – and most secretive – musicians.

In the film we follow José González through intimate and unique scenes shot during work with the long-awaited second album “In our nature”. In his studio, at home and on tour. Through a diary, based on personal voice recordings we follow his everyday reflections. Thoughts on the photons way from the sun to our eyes, Darwinism, the struggle to write songs. The film gives us an exclusive insight into the, at many times, lonely creative process and of one persons attempt to manage and understand his own existence. The film was shot over a three year period on location in Sweden, Japan, Singapore, United States, South Africa, England, Chile and Argentina.

Director’s Comment
/ There is something absurd, fascinating and beautiful in our attempts to find meaning in our existence. With The Extraordinary ordinary life of José González we wanted to give form to the personal artistic process. How personal reflection and everyday fragments of life shapes our input and output /

Still #3.



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Vicky Cristina Barcelona (2008), de Woody Allen

Still #2.



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Vicky Cristina Barcelona (2008), de Woody Allen

Still #1.



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Vicky Cristina Barcelona (2008), de Woody Allen

Madame Bovary # 3



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( Passagem )

Às vezes, ocorriam-lhe ideias estranhas:
- Quando baterem as doze - dizia-lhe - pensa em mim.
E se acaso confessava que não tinha pensado nela, desfazia-se em lamentos que  irremediavelmente terminavam com as eternas perguntas:
- Amas-me?
- Claro que sim!
- Muito?
- Muito.
- Nunca amaste nenhuma outra?
- ...Crês que era virgem quando me encontraste? - exclamava Rodolfo rindo. 
Emma começava a chorar e Rodolfo esforçava-se por consolá-la, alternando com  piadas os seus juramentos amorosos.
- Oh! É que amo-te - proseguia ela - Amo-te tanto que não poderia viver sem ti! Entendes? Às vezes, quando todas as fúrias de amor me afligem, tenho desejos de ver-te. Pergunto-me: "Onde estará? Quiçá com outras mulheres. Sorrir-lhes-á ao aproximar-se." Mas não, nenhuma te agrada, verdade? Há-as mais bonitas, mas eu sei amar melhor! Sou a tua escrava, a tua manceba! És o meu rei! O meu ídolo! És bom! És formoso! És inteligente! És forte! 
Tinha ouvido tantas vezes aquelas palavras que lhe pareciam carecer de originalidade. Emma parecia-se com todas as amantes. O encanto do que é novo, resvalando pouco a pouco como um vestido, deixava ao desnudo a eterna monotonia da paixão, que apresenta sempre as mesmas formas e linguagem. Aquele homem tão prático não acertava em distinguir a desigualdade de sentimentos submetidos a uma mesma linguagem. Porque uns lábios libertinos ou vendidos lhe haviam murmurado frases por mero estilismo, não acreditava, senão muito debilmente, no candor das palavras de Emma. Há que recusar - pensava - as frase exageradas que encobrem pensamentos medíocres.
Como se a plenitude da alma não se desdobrasse algumas vezes nas metáforas mais vãs, porque ninguém pode dar a exacta medida das suas necessidades, das duas ideias nem das suas dores pela palavra humana.  Mas com esta superioridade de crítica própria de quem se mostra privado de toda a classe de relações, Rodolfo encontrou naquele amor outros gozos que explorar. Julgou incómodo todo o pudor e começou a tratá-la sem cortesias, acabando por corrompê-la. Era uma amor idiota que privilegiava Rodolfo em admiração e enchia Emma de voluptuosidade  e arrebatamento. A sua alma submergia naquela embriaguez, afogando-se, como o Duque de Clarence no seu tonel de mostro. 
Em consequência das suas práticas amorosas, Madame Bovary mudara de modos. O seu olhar tornou-se mais atrevido e a sua conversação mais livre e, inclusive, cometeu a inconveniência de passear-se pelas ruas de braço dado com Rodolfo, e de cigarrilha na boca, como que a desafiar o mundo.


(...)


 « Não te esquecerei nunca, acredita. Sempre sentirei por ti um carinho profundo, mas, um dia qualquer, mais tarde ou mais cedo, este imenso carinho - tal é o destino das coisas humanas - sem dúvida diminuirá. O cansaço apodera-se de nós e, quem sabe, se não iria eu ter a terrível dor de presenciar os teus lamentos e de comparti-los por tê-los causado? Culpa tão somente a fatalidade.»

- Esta palavra sempre produz efeito - disse para si mesmo.
Releu a carta e pareceu-lhe excelente. 
- "Pobrezinha", vai pensar que sou mais insensível que uma roca. Umas lagrimitas em cima da carta produziriam um efeito magnífico. Mas eu não posso chorar, a culpa não é minha!
Então, enchendo um copo de água, molhou nele o dedo e deixou cair uma grossa gota, que esboçou sobre a tinta uma pálida mancha. Acostou-se e fumou três cachimbos antes de se ir deitar.


Isabelle Huppert como Emma Bovary e Cristophe Malavoy como Rodolfo
em Madame Bovary (1991), de Claude Chabrol

Jean-Luc Godard & Anna Karina, 20 Ans Depuis.
(Procurei por isto durante 1000 anos, no mínimo!)



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Li acerca desta, como direi?, situação, pela primeira - e única - vez, numa daquelas pequenas edições que habitualmente acompanham as Colecções de filmes que volta e meia o Público decide lançar. Dessa feita, a colecção fazia-se intitular de algo como - perdoem-me a imprecisão, mas não a tenho aqui à mão para consulta - "Grandes Realizadores" e o livro que descrevia o incidente abaixo mencionado era  o que estava dedicado a Jean-Luc Godard (e respectiva obra, pois claro), e que acompanhava o DVD de Bande À Part, à venda nessa sexta-feira, com o jornal, por mais meia dúzia de trocos. À parte a narração contida nesse livro, e por mais que o tenha tentado, nunca consegui, à posteriori, encontrar relatos da situação, fosse onde fosse. Tal era a escassez de informação - menos que nada é, muitas vezes, impossível - que cheguei a pensar não se passar de uma cena off the record e/ou, muito provavelmente, um mero mito que circulava pelo meio. Mas não, eis a prova (~ 5:18", vídeo não visível através de leitores de feeds, como o Google Reader) : 








In an interview done decades after their 1967 divorce, in the midst of talking about their collaborations in the 1960’s that helped define the New Wave movement, the interviewer suddenly asked them (05:18"):
“Can one be happy again after having such an intense relationship?” 
In a rough translation, Anna Karina responds: “Yes, one can be happy, but in a different way.”
Godard essentially responds “No, I believe one can be much happier.” 
Anna Karina begins to tear up and excuses herself from the interview.


Anna Karina et Jean-Luc Godard se retrouvent sur le plateau de "Bains de Minuit" vingt ans après leur séparation. Au début de l'entretien, Anna est très gênée.Puis ils évoquent l'époque où ils travaillaient ensemble. Anna Karina, très émue, quitte finalement le plateau en plein interview. Jean-Luc Godard, gêné, finit en disant qu'il ne pleurera pas sur le plateau. L'entretien reprend ensuite, comme si rien ne s'était passé. Anna Karina parle de son dernier film "Cayenne Palace", d'Alain Maline et du prochain : "L'oeuvre au Noir", d'André Delvaux.


* * *

Numa entrevista feita décadas depois do seu divócio, em 1967, a meio de uma conversa acerca das colaborações que tiveram durante a década de 60, as quais ajudaram a definir o movimento Nouvelle Vague, o entrevistador pergunta-lhes (5:18"): "Pode alguém voltar a ser feliz depois de uma relação tão intensa?""Sim, pode ser-se feliz, mas de um modo diferente". Godard basicamente responde "Não, eu acredito que pode ser-se bastante mais feliz". Anna Karina começa  a chorar e pede desculpas enquanto abandona a entrevista. Numa tradução aproximada, Anna Karina responde:

Anna Karina e Jean-Luc Godard reencontram-se na plateia de "Bains de Minuit",  20 anos após a sua separação. No início da entrevista, Anna mostra-se bastante deconfortável. Depois, evocam-se os tempos em que os dois trabalharam em conjunto. Anna Karina, visivelmente emocionada, acaba por deixar o estúdio em plena entrevista. Jean-Luc Godard, embaraçado, acaba por dizer que não chorará perante uma plateia. A entrevista retoma rapidamente, como se nada se tivesse passado. Anna Karina fala do seu mais recente filme, "Cayenne Palace", d'Alain Maline e do proximo "L'Oeuvre Au Noir", dAndré Delvaux.




Se preferirem, também aqui, numa versão encurtada e legendada em italiano. 


Madame Bovary # 2



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 ( Passagem )

Emma, de frente para ele, olhava-o. Não partilhava da sua humilhação; sofria uma outra distinta.  A de ter pensado que aquele homem poderia alguma vez servir para alguma coisa, quando em mais de vinte ocasiões poderia simplesmente ter-se limitado a comprovar a sua mediocridade.
Carlos passeava-se pelo quarto e as suas botas rangiam sobre o soalho.
- Senta-te! - disse-lhe ela - Incomodas-me!
Carlos sentou-se.
Como era possível que ela, tão inteligente, se pudesse ter enganado mais uma vez? Por que deplorável capricho tinha afundado daquele modo a sua existência em contínuos sacrifícios? Recordou os seus instintos de luxo, as privações da sua alma, as misérias do matrimónio, do lar, os seus sonhos caídos no lodo como andorinhas feridas. E, por quê? Porquê?
Tinha sido por ele, por aquela criatura, por aquele homem que não compreendia nada, que não sentia nada, que estava ali tranquilamente, sem suspeitar sequer do ridículo que acabara de cair sobre o seu nome. Tinha tratado de o amar e, inclusive, tinha chorado, arrependida de ter-se entregue a outro!
Emma mordia os lábios enquanto brincava nervosamente com um pequeno pedaço de lenha que acabra de arrancar. Cravava em Carlos as pupilas, como duas flechas de fogo próximas de disparar. Tudo nele a irritava: a cara, a forma de vestir, o que não dizia, toda a sua pessoa, a sua existência. Arrependia-se, como de um crime, da sua virtude passada, e, o que ainda restava dela, desvanecia-se ante furiosos golpes de orgulho. Deleitavam-na todas as perversas ironias  do adultério triunfante, a recordação do seu amante regressava a ela outra vez como atracções de vertigem, às quais lançava a sua alma, arrastada até aquela imagem por um novo desejo. Carlos parecia-lhe tão alheio à sua vida, tão ausente, tão aniquilado e impossível, como se fosse morrer e estivesse ali a agonizar diante dos seus olhos.
Então Carlos, num arrebatamento de súbita ternura e desalento, voltou-se para a sua mulher:
- Abraça-me!
- Deixa-me! - volveu ela, encarnada de fúria.
- O que é que tens? Que se passa? - dizia o pobre homem estupefacto - Acalma-te, acalma-te! Sabes bem o quanto te quero... chega-te aqui.
- Basta! - disse Emma num tom terrível.
E, fugindo da sala, fechou com tal violência a porta que o barómetro se desprendeu da parede fazendo-se em mais de mil pedaços no  chão. Carlos deixou-se cair sobre o cadeirão, desconcertado, pensado nos motivos daquela conduta, atribuindo-a a uma enfermidade nervosa, chorando e sentindo vagamente ao seu redor algo funesto e incompreensível. 
Quando, à noite, Rodolfo chegou ao jardim, encontrou a sua amante aguardando-o junto da escadaria, sentada no primeiro degrau. Abraçaram-se e todos os seus rancores se fundiram, como a neve, com o calor daquele beijo.
In Madame Bovary
de Gustave Flaubert

 Still de Madame Bovary (1991), de C. Chabrol

Lolita.



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Insinuando que iria passar uma valente seca, Natalie Portman fazia-se munir de um "Lolita" na chegada à apresentação de "Black Swan". NOPE. 



Olympia Le-Tan
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