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El Cigarillo, Dios de la vida, Dios de los suicidas.
#2.



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« É tão bela a ruína, tão profunda conheço todas as suas cores e é como uma sinfonia »
A Canção do Croupier do Mississipi Canção Pirata Fumo muito. Demasiado. Fumo para esfregar o tempo e às vezes ouço rádio, e ouço passar a vida como quem liga a rádio. Fumo muito. No cinzeiro há ideias e poemas e vozes de amigos que não tenho. E tenho a boca cheia de sangue, e sangue que me sai pelas fendas do crânio e toda a minha alma sabe a sangue, sangue fresco não sei se de porco ou se do homem que sou, em toda a minha alma esfaqueada por mulheres e meninos que se movem ingénuos, torpes, nesta vida que já conheço. Apalpo o peito de repente, nervoso, e não sinto um coração. Não há, não existe em ninguém essa coisa a que chamam coração senão quiçá no álcool, nesse sangue que eu bebo e que é o sangue de Cristo, o único sangue neste mundo que não existe que é como que mal programado, ou como uma fábrica de vida ou um alfaiate que se esqueceu de quem era e ainda assim continua a viver, ou quem sabe o relógio e as horas que passam. Apalpo-me, nervoso, os olhos os pés e o polegar da mão meto-o no olho e estou sujo e a minha vida fede. E sonho que vivi e que me chamo de algum modo e que este conto é verdadeiro, este absurdo que denunciam os meus olhos, este delírio em Veracruz, e que este país é verdadeiro este lugar parecido com o Inferno, a que chamam Espanha, ouvi aos mortos que o Inferno é melhor que isto que se parece mais. Digo a mim mesmo que sou Pessoa, como Pessoa era Álvaro de Campos, digo a mim mesmo que estar bêbado é não o estar toda a vida, é estar bêbado de vida e não de morte, é um sangue diferente desse outro espesso que coalha pelos telhados e pelas paredes e pelos buracos da vida. E é que não há outra comunhão nem outro espasmo que este do vinho e nenhum outro sexo nem mulher que o jarro de álcool beijando-me os lábios que este jarro de álcool que levo no cérebro, nos pés, no sangue, que este jarro de vinho tinto ou branco, de Genebra ou de rum ou o que seja - Genebra e cerveja, por exemplo - que é como a infância, e não é fuga, nem invasão, nem sonho senão a única vida real e toda a possível e agarro de novo o copo como ao colarinho da vida e conto a algum ser que é provável que esteja ali a vida dos deuses e nuns dias sou Caím, e noutros um jogador de póquer que bebe whisky perfeitamente e noutros o caça-talentos que por outro lado já fui mas o meu é como em "Doce Pássaro da Juventude" um caçador de talentos belo e alcoólico, e noutros dias, um assassino tímido e psicótico, e noutros alguém que matou não se sabe há quanto, em que cidade, entre marinheiros ébrios. Alguns lembram-se, dizem de copo na mão, falando muito, falando (para poder existir) de que não há nada melhor que dizer a si mesmo uma proposição de Wittgenstein enquanto sobe a maré do vinho ao sangue e à alma. Ou, bem , alguém perdido em galerias espelhadas buscando a sua namorada. E outras vezes sou Abel que tem um plano perfeito para resgatar a vida e restaurar os homens e também às vezes choro por não ser um escravo negro do sul, chorando entre as plantações! É tão bela a ruína, tão profunda conheço todas as suas cores e é como uma sinfonia a música do acabamento, como música que tocam mais além, e já não tenho sangue nas veias, senão álcool, tenho sangue nos olhos de bêbado e a alma invadida de sangue como uma vomitadora, e vomito a alma de manhã, depois de ter passado toda a noite jurando frente a uma boneca de plástico que existe Deus. Escrever em Espanha não é chorar, é beber, beber a raiva do que não se resigna a morrer nas esquinas, é beber e mal dizer, blasfemar contra Espanha contra este país sem deuses mas com estátuas de deuses, é beber na igreja com música de órgão é cair de bêbado nos recitais e manchas de vinho tinto e sangue "Le Livre Des Masques" de Rémy de Gourmont cair húmido babado e tonto e derrubar-se como uma árvore diante das lâmpadas desta romaria cultural. Escrever em Espanha é ter até a borda em sangue este álcool de loucura que já não justifica nada nem ninguém, nenhuma sombra das que ali havia ao princípio. E dizer ao morrer, quando tenha já na boca e na cabeça a baba do suicídio gritar às sombras (às tantas que há) e fantasmas neste paraíso para espectros e também aos veados que vi no bosque, e aos pássaros e aos lobos na rua e espreitando nas esquinas
La canción del croupier del Mississipi Canción pirata Fumo mucho. Demasiado. Fumo para frotar el tiempo y a veces oigo la radio, y oigo pasar la vida como quien pone la radio. Fumo mucho. En el cenicero hay ideas y poemas y voces de amigos que no tengo. Y tengo la boca llena de sangre, y sangre que sale de las grietas de mi cráneo y toda mi alma sabe a sangre, sangre fresca no sé si de cerdo o de hombre que soy, en toda mi alma acuchillada por mujeres y niños que se mueven ingenuos, torpes, en esta vida que ya sé. Me palpo el pecho de pronto, nervioso, y no siento un corazón. No hay, no existe en nadie esa cosa que llaman corazón sino quizá en el alcohol, en esa sangre que yo bebo y que es la sangre de Cristo, la única sangre en este mundo que no existe que es como el mal programado, o como fábrica de vida o un sastre que ha olvidado quién es y sigue viviendo, o quizá el reloj y las horas pasan. Me palpo, nervioso, los ojos y los pies y el dedo gordo de la mano lo meto en el ojo, y estoy sucio y mi vida oliendo. Y sueño que he vivido y que me llamo de algún modo y que este cuento es cierto, este absurdo que delatan mis ojos, este delirio en Veracruz, y que este país es cierto este lugar parecido al Infierno, que llaman España, he oído a los muertos que el Infierno es mejor que esto y se parece más. Me digo que soy Pessoa, como Pessoa era Álvaro de Campos, me digo que estar borracho es no estarlo toda la vida, es estar borracho de vida y no de muerte, es una sangre distinta de esa otra espesa que se cuela por los tejados y por las paredes y los agujeros de la vida. Y es que no hay otra comunión ni otro espasmo que este del vino y ningún otro sexo ni mujer que el vaso de alcohol besándome los labios que este vaso de alcohol que llevo en el cerebro, en los pies, en la sangre. que este vaso de vino oscuro o blanco, de ginebra o de ron o lo que sea - ginebra y cerveza, por ejemplo - que es como la infancia, y no es huida, ni evasión, ni sueño sino la única vida real y todo lo posible y agarro de nuevo la copa como el cuello de la vida y cuento a algún ser que es probable que esté ahí la vida de los dioses y unos días soy Caín, y otros un jugador de poker que bebe whisky perfectamente y otros un cazador de dotes que por otra parte he sido pero lo mío es como en "Dulce pájaro de juventud" un cazador de dotes hermoso y alcohólico, y otros días, un asesino tímido y psicótico, y otros alguien que ha muerto quién sabe hace cuánto, en qué ciudad, entre marineros ebrios. Algunos me recuerdan, dicen con la copa en la mano, hablando mucho, hablando para poder existir de que no hay nada mejor que decirse a sí mismo una proposición de Wittgenstein mientras sube la marea del vino en la sangre y el alma. O bien alguien perdido en las galerías del espejo buscando a su Novia. Y otras veces soy Abel que tiene un plan perfecto para rescatar la vida y restaurar a los hombres y también a veces lloro por no ser un esclavo negro en el sur, llorando entre las plantaciones! Es tan bella la ruina, tan profunda sé todos sus colores y es como una sinfonía la música del acabamiento, como música que tocan en el más allá, y ya no tengo sangre en las venas, sino alcohol, tengo sangre en los ojos de borracho y el alma invadida de sangre como de una vomitona, y vomito el alma por las mañanas, después de pasar toda la noche jurando frente a una muñeca de goma que existe Dios. Escribir en España no es llorar, es beber, es beber la rabia del que no se resigna a morir en las esquinas, es beber y mal decir, blasfemar contra España contra este país sin dioses pero con estatuas de dioses, es beber en la iglesia con música de órgano es caerse borracho en los recitales y manchas de vino tinto y sangre "Le livre des masques" de Rémy de Gourmont caerse húmedo babeante y tonto y derrumbarse como un árbol ante los farolillos de esta verbena cultural. Escribir en España es tener hasta el borde en la sangre este alcohol de locura que ya no justifica nada ni nadie, ninguna sombra de las que allí había al principio. Y decir al morir, cuando tenga ya en la boca y cabeza la baba del suicidio gritarle a las sombras, a las tantas que hay y fantasmas en este paraíso para espectros y también a los ciervos que he visto en el bosque, y a los pájaros y a los lobos en la calle y acechando en las esquinas
Leopoldo María Panero "Poesía" 1970 - 1985

Felices los Normales.



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A Antonia Eiriz
Felizes os normais, esses seres estranhos.
Os que não tiveram uma mãe louca, um pai bêbedo, um filho delinquente,
Uma casa em parte nenhuma, uma doença desconhecida,
Os que não foram calcinados por um amor devorador,
Os que viveram os dezassete rostos do sorriso e um pouco mais,
Os cheios de sapatos, os arcanjos com chapéus,
Os satisfeitos, os gordos, os lindos,
Os rintimtim e os seus sequazes, os que como não, por aqui,
Os que ganham, os que são queridos até ao fim,
Os flautistas acompanhados por ratos,
Os vendedores e seus compradores,
Os cavaleiros ligeiramente sobre-humanos,
Os homens vestidos de trovões e as mulheres de relâmpagos,
Os delicados, os sensatos, os finos,
Os amáveis, os doces, os comestíveis e os bebíveis.
Felizes as aves, o esterco, as pedras.
Mas que dêem passagem aos que fazem os mundos e os sonhos,
As ilusões, as sinfonias, as palavras que nos desbaratam
E nos constroem, os mais loucos que as suas mães, os mais bêbedos
Que os seus pais e mais delinquentes que os seus filhos
E mais devorados por amores calcinantes.
Que lhes dêem o seu sítio no inferno, e basta.


"Felizes os Normais"
Roberto Fernández Retamar
Tradução Caseira

Recuerda que tú existes tan sólo en este libro.



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Lembra-te de que existes tão somente neste livro,
agradece a tua vida aos meus fantasmas,
à paixão que ponho em cada verso
por recordar o ar que respiras,
a roupa que pões e me tiras,
os táxis em que viajas cada noite,
sirene e coração dos taxistas,
os copos que partilhas pelos bares
com as gentes que vivem em balcões.
Lembra-te de que te espero do outro lado dos eléctricos quando chegas tarde,
que, sentinela incómodo, o telefone se converte num hóspede sem notícias,
que há um rumor vazio de elevadores, debatendo-se sozinhos,
que, enquanto telefonas, sobem ou descem a tua nostalgia.
Lembra-te de que o meu reino são as dúvidas desta cidade somente com pressa,
e que a liberdade, cisne terrível, não é a ave nocturna dos sonhos,
mas sim a cumplicidade, a manutenção da ferida pela espada
que nos faz conhecidos personagens literários:
mentiras de verdade,verdades de mentira.
Lembra-te de que eu existo porque existe este livro,
e que posso suicidar-nos com o rasgar de uma página.
Recuerda que tú existes tan sólo en este libro, agradece tu vida a mis fantasmas, a la pasión que pongo en cada verso por recordar el aire que respiras, la ropa que te pones y me quitas, los taxis en que viajas cada noche, sirena y corazón de los taxistas, las copas que compartes por los bares con las gentes que viven en sus barras. Recuerda que yo espero al otro lado de los tranvías cuando llegas tarde, que, centinela incómodo, el teléfono se convierte en un huésped sin noticias, que hay un rumor vacío de ascensores querellándose solos, convocando mientras suben o bajan tu nostalgia. Recuerda que mi reino son las dudas de esta ciudad con prisa solamente, y que la libertad, cisne terrible, no es el ave nocturna de los sueños, sí la complicidad, su mantenerse herida por el sable que nos hace sabemos personajes literarios, mentiras de verdad, verdades de mentira. Recuerda que yo existo porque existe este libro, que puedo suicidarnos con romper una página.

Luis García Montero 
numa tradução suja e feia do Cotonetes.
Para ouvir lido pelo autor aqui, e mais bonito ainda ao vivo. Foi.
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