60º ANIVERSÁRIO
PIZZA & LOVE, NO TEMPO DO MEU PAI*.
*OU Afonsinhos do Condado com a presença da "Doce" Lena, numa actuação para o célebre programa de variedades de Vitor Espadinha. Estávamos em 1988.
O SONHO DOS MEUS AMIGOS*. * OU G.T.I. - Clã.
TAQUETINHO OU LEBAS NU FUCINHO*. * OU Como já no tempo do meu primo havia gente com anomalias que começam no cerebruh e só terminam na ponta dos dedox.
TAQUETINHO OU LEBAS NU FUCINHO*.
RESSURREIÇÃO PROCURA-SE.
Quem mais tem saudades destes Coldplay mortos desaparecidos?
Quem mais tem saudades destes Coldplay mortos desaparecidos?
Aborrecem-me as conversas sobre o PIB
E as vantagens em ter um carro a Diesel
(ou ter Vodafone para que alguém te ligue)
Começo a não poder suportar o banal iogurte
(porque não lhe acrescentam algo que o mude?)
Porque não fazem iogurtes de brandy?
Algo com charme e sex-appeal muito à Hollywood
(como eu)
Como candy
Envolta em perfume Dior
Sou mais um produto Xerox
a que a Benetton dá cor
jogando vermelhos contra castanhos num subtil combate de boxe
Dizem que o Universo se funda na lei
Dizem... que eu não sei
( É um bom carro o Saab...)
Para mim Física Quântica é apenas mais uma expressão romântica
ou outra matreira e coleante chufa ditirambica
Sinto isso em mim como sinto o frio na pele
Mas se a pele é cor de laranja nos filmes da Disney
Porque não terá a Vida sabores de mel com fel e ser fornecida pela Shell?
(este aroma a petróleo é como um vinho cromático)
Sem falar do que é habitual dizer-se de forma volátil
Continuo com a carnificina de palavras com a minha Parker
(que por acaso é um portátil)
e com um trejeito apático
evito mencionar lírios e bambus ou outra planta qualquer
(aliás, a minha flor é o malmequer)
Galáxias de bafo húmido formam-se no vidro da minha janela
contra o qual investem cometas de granizo
numa ritmada querela
nada como deixar uma obtusa zeugma navegar à vela
Aconchego-me mais no meu cachecol Armani
(feito de nylon)
enquanto me abstraio no frio juízo
retirado de um livro comprado na Amazon
de que para se ser feliz é preciso ter money
pondero isso e ligo a Sony para ouvir a TVI
(enfada-me a Parker! Vou usar a Bic...talvez a Rotring)
MUDO PARA A SIC
as minhas mãos em prece, ao sábio deus indiano Ganesh,
ergo languidamente
e coloco, novamente, os meus sentimentos numa creche
que uma caneta - De Marca! - esboça em linhas torcidas de um azul quente
como uma porcelana Ming
E assim acaba mais um poema no chat
Com um ping
E apesar de tudo aquilo que promete
(esta minha computografia)
Falemos então do PIB
até que nasça um novo dia
Chimu
LE SOLEIL.
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Ainda que o sol de Inverno seja, de longe, o melhor em todo o ano, em nada assimilável ao horror que é o de Verão, este Ente Lectual é que a sabe toda:
LINÓLEO
Chegou o bom tempo. Atrasados mentais de todas as formas e feitios começam a sair das tocas. Já não hibernam. As esplanadas enchem e a casa ganha aquele cheiro que o linóleo liberta com o calor. Também se pode dar o caso de não ter nada a ver com o linóleo, não sei, percebo tanto de pavimentos quanto de aviões. Se me disserem que este chão é de granito, eu acredito. O que me interessa agora é partilhar convosco esta minha amargura, esta infinita tristeza de ver o Inverno a acabar. A época de gajos como eu terminou e só volta depois de uma travessia à qual poucos da nossa espécie resistem; durante os próximos 6 meses, não resta nada senão - eis a altura de citar o poeta (sempre quis dizer isto) - lágrimas que vêm tarde e uma noite à volta, uma noite em que nunca chega o alvor da madrugada. Outra forma de dizer: ver a felicidade dos outros. Era isto, todos aqueles que tenham vidas pessoais sintam-se livres de prosseguir. Eu fico aqui e juro, juro que não fico melindrado.
Chegou o bom tempo. Atrasados mentais de todas as formas e feitios começam a sair das tocas. Já não hibernam. As esplanadas enchem e a casa ganha aquele cheiro que o linóleo liberta com o calor. Também se pode dar o caso de não ter nada a ver com o linóleo, não sei, percebo tanto de pavimentos quanto de aviões. Se me disserem que este chão é de granito, eu acredito. O que me interessa agora é partilhar convosco esta minha amargura, esta infinita tristeza de ver o Inverno a acabar. A época de gajos como eu terminou e só volta depois de uma travessia à qual poucos da nossa espécie resistem; durante os próximos 6 meses, não resta nada senão - eis a altura de citar o poeta (sempre quis dizer isto) - lágrimas que vêm tarde e uma noite à volta, uma noite em que nunca chega o alvor da madrugada. Outra forma de dizer: ver a felicidade dos outros. Era isto, todos aqueles que tenham vidas pessoais sintam-se livres de prosseguir. Eu fico aqui e juro, juro que não fico melindrado.
QUANTOS SOMOS?
[ Excertos de um interessante artigo com entrevista inclusa a João Paulo Cuenca - escritor revelação carioca - publicada na última edição do Ípsilon (sexta, 27 de Fevereiro) a propósito do lançamento em Portugal do seu último romance "O Dia Mastroianni" ]
A mãe deste carioca ensinou-o a ler, em casa, com a ajuda de bloquinhos de madeira com letrinhas. Por isso quando João Paulo entrou no colégio de freiras, onde estudou, já sabia ler. Rapidamente percebeu que tinha que "driblar" as freiras da biblioteca para ler o que elas não queriam que ele lesse, e costuma dizer que foi ao ler Dostoiévski que desgraçou a vida para sempre. "No meu grupo de amigos no Brasil, temos essa piada interna, esse calão particular do dia Mastroianni. É quando o dia está muito divertido, inesperado e as coisas tomam um rumo glamoroso. Se você se vê numa cobertura de um hotel, tomando 'dry martini', numa festa de modelos da agência Elite de Nova Iorque isso é um dia Mastroianni", explica. "Toda a vez que isso acontecia a gente falava: 'Olha está ficando Mastroianni o nosso dia'. E no meio desse conceito, de desperdiçar as horas, comecei a engendrar essa narrativa que durasse um dia e que contasse a história de dois amigos bastante adolescentes e idiotas, pretensos artistas que vivessem de uma maneira episódica o percurso por uma cidade."
Além da referência ao cinema a que se chega pelo título, o livro está salpicado de brincadeiras e de referências literárias. O narrador, Pedro Cassavas, é um pretenso artista, cheio de planos e de intenções mas que não realiza nada. Cuenca traça o retrato de uma geração que tem muitos projectos e que não faz nada. As personagens brindam aos dândis precoces, aos escritores sem livros, aos músicos sem discos, aos cineastas sem filmes. "Pessoas que têm planos e pretensões e têm todo um discurso já pronto mas não têm obra."
"Oito e Meio", de Fellini e "O Acossado" de Godard deslizam pelo romance. São referências para algumas pessoas da geração de que o brasileiro faz parte, aquelas que gostavam de ter vivido há 40 anos. "Existe uma nostalgia roubada que eu tenho e conheço muita gente que tem, uma nostalgia de uma época que não se viveu. Tenho saudades dos anos 60 quando vejo certos filmes. Nunca vivi nem nunca vou viver aquilo. Vivo num mundo muito mais sem graça. E o meu livro tem um pouco disso, dessa ressaca".
E depois há a forma como descreve as mulheres nos seus livros "bombas de hormônio cada vez menos exigentes e mais desesperadas". "O meu olhar sobre as mulheres é muito infantil. É muito primário. É um horror", afirma quase envergonhado. "Perco muito tempo da minha vida pensando no que pensa uma mulher porque sou infantil. O texto pode ser maduro, mas o ponto de vista é de uma criança chocada".
" Essa coisa com as mulheres é porque eu tenho um ponto de vista infantil e fascinado. Um homem não conhece uma mulher. Jamais. É uma ilusão, a fantasia de você achar que vai desconfiar aquilo que uma mulher está pensando. É impenetrável. E você pode perder a sua vida nisso. É o que eu faço. E aí você inventa. Você conhece inventando."
" Essa coisa com as mulheres é porque eu tenho um ponto de vista infantil e fascinado. Um homem não conhece uma mulher. Jamais. É uma ilusão, a fantasia de você achar que vai desconfiar aquilo que uma mulher está pensando. É impenetrável. E você pode perder a sua vida nisso. É o que eu faço. E aí você inventa. Você conhece inventando."
A STORY OF THE LONDON FOG.
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